Qual o limite da ostentação nas redes sociais?

ostentação em redes sociais

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As redes sociais são um ótimo termômetro para estudos sociológicos. Recentemente, o psicólogo norte-americano Ethan Kross, da Universidade de Michigan, acompanhou usuários da rede social Facebook e percebeu que, quanto mais tempo conectados, mais insatisfeitos com a própria vida diziam se sentir. Isso é muito diferente da vida perfeita que todos mostram na rede, não é?

Temos uma cultura mais narcisista e exibicionista hoje em dia, principalmente pelas inúmeras possibilidades que a internet dá para as exibições. Eline Kullock, pesquisadora de tendências da tecnologia na atuação profissional, afirma: "Esta é uma sociedade do ‘presentismo’, onde o prazer do agora é mais importante do que o futuro. Somos bombardeados com expectativas de comportamentos e nos adaptamos incorporando os papéis que nos atribuem e consumindo produtos que sustentem esse padrão".

Toda essa estrutura favorece o desejo constante das pessoas mostrarem ao mundo como são felizes, bem-sucedidas, viajadas, amadas, etc. E como ninguém vive um mar de rosas o tempo todo, o contraste entre: realidade, o que as pessoas desejariam ser e os que assistem essa exibição pode não fazer bem ao psicológico.

Plateia virtual

Mas apenas tem graça se mostrar quando todos estão olhando, certo? A plateia é, em grande parte, o que sustenta esse comportamento, por ser impelida a "curtir" o exibicionismo em troca de receber o mesmo.

"Falar bem ou mal, mas falar de alguém te dá domínio e inserção. Se você não se posiciona, é como se não existisse e acaba não sendo percebido. É necessária aprovação para diminuir o sentimento de dor causado pela solidão, as pessoas desejam aparecer com uma opinião, uma observação, uma piada, enfim, serem vistas de alguma forma", afirma a pesquisadora.

Mas se traz tanto desconforto para ambos os lados, qual o sentido de continuar com comportamentos como esse? A necessidade de ser aceita continuará existindo, mas pouco adianta postar fotos de todas as badalações, se você for vista como a #bragger (palavra de origem inglesa que significa algo como "fanfarrão").

Ao invés de ter uma vida virtual badalada, queira uma de verdade com pessoas ao seu redor, aproveitando os momentos ao seu lado.


Por Juliany Bernardo (MBPress)

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