Qual a importância das mulheres que atuam na Igreja?

Qual a importância das mulheres que atuam na Igrej

Foto: A. Green/Corbis

Após a renúncia surpreendente do papa Bento XVI, no dia 11 de fevereiro, a Igreja Católica começou a planejar a escolha do novo papa, organizando os preparativos que culminaram no conclave iniciado hoje.

Reunindo 115 cardeais eleitores, o conclave é uma reunião em clausura bastante rígida, cujos participantes permanecem incomunicáveis até definirem o sucessor para o maior cargo da Igreja Católica.

E durante essa reunião histórica a mulher sequer tem peso algum. Na Igreja, elas são madres e freiras que não têm influência sobre a escolha, muito menos, direito a voto. Com isso, as mulheres que renunciam a vida em sociedade e optam por se dedicar aos serviços religiosos não têm a oportunidade de ocuparem grandes cargos no Vaticano. Isso pode mudar, mas, possivelmente, será algo demorado, afinal, o sacerdócio ministerial tem uma grande tradição de sempre ter sido exercido por homens.

Muitas religiosas já têm expressado essa necessidade da Igreja oferecer crescimento e importância ao papel feminino dentro da instituição. Contudo, ainda é uma discussão polêmica, já que as opiniões são diversas.

"Penso que as mulheres podem ajudar, há muitas preparadas, que trabalham em tantas congregações. Há necessidade de mais participação. Mas acredito que ainda vai demorar bastante tempo para que possam ter acesso a esses postos", disse ao site G1 Maria Luisa Labarta, freira espanhola que vive em Roma há mais de 40 anos.

No entanto, também destaca que a maior parte das mulheres ainda não possui a mesma preparação que os homens, já que não se aprofundam no estudo da teologia. "Acredito que é muito importante a preparação. Às vezes, parece-me que as próprias mulheres têm uma mentalidade machista, consideram-se inferiores. Inclusive na vida religiosa, falta consciência de que as mulheres também têm a inteligência e podem fazer o mesmo que os homens. Mas necessitam de uma preparação."

Por outro lado, também em depoimento dado ao site G1, a irmã brasileira Leonor Angeli, que está em Roma há cinco anos, afirma que os estudos para as mulheres religiosas são mais difíceis de serem levados adiante do que pelos homens, pois enquanto eles são liberados para se dedicarem exclusivamente, elas ainda precisam trabalhar para se manterem.


Independentemente dos aspectos responsáveis por essa falta de espaço, a freira Maria Luisa diz que a participação real das mulheres com poder de decisão no conclave parece impensável atualmente.

"Para isso, é preciso uma revolução na Igreja. Com o papa Bento XVI, as mulheres continuaram sem ter cargos de responsabilidade, mesmo ele ajudando muitas freiras. Ainda demora muito tempo para que essa mentalidade mude dentro do Vaticano e que as próprias mulheres pensem diferente."

Por Fernanda Oliveira (MBPress)

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