Quais os limites entre domésticas e donas de casa?

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Foto: Lucas Tange/cultura/Corbis

A contratada para trabalhar na casa, seja uma empregada doméstica ou diarista, deve manter em mente que está ali a trabalho e tem responsabilidades, deveres e limitações como em qualquer empresa. Mas quando se está tão próxima de uma família, com crianças e problemas delicados, pode surgir alguns questionamentos a respeito do quanto a doméstica pode se envolver nos assuntos familiares e de quanta liberdade pode ter.

A presidente do Sindicato das Empregadas e Trabalhadores Domésticos da Grande São Paulo (SINDOMÉSTICA), Eliana Gomes Menezes, afirma: "A empregada deve ter certa ética e se manter distante dos assuntos de seus patrões, exceto quando presenciar maus-tratos de crianças ou idosos, daí ela deve procurar autoridades competentes e denunciar".

Dentro da casa, a empregada pode usar o que lhe for previamente permitido. "Caso tenha televisão no quarto reservado para a empregada, ela pode assistir, mas fora do horário de trabalho. O uso do telefone esta sob a permissão do empregador", afirma a presidente do SINDOMÉSTICA. É melhor evitar o uso de computadores já que eles, dificilmente serão necessários para o cumprimento das tarefas da trabalhadora. A exceção existe caso seja solicitado que ela faça algo no aparelho.

Quando as crianças entram em pauta, é importante tato de ambas as partes, empregada e empregador. Eliana diz: "A empregada não deve querer educar as crianças, apenas levar ao conhecimento dos pais alguma coisa fora do normal". E por ser um assunto tão delicado deve-se, previamente, estabelecer limites quanto à educação dos pequenos da casa.

A dona da casa também deve cuidar para não invadir o espaço da trabalhadora. As explicações de como proceder no trato com as coisas da casa devem ser dadas, mas fazer o trabalho por ela é quase desrespeitoso. A empregada está sendo paga para efetuar um trabalho ao qual já está habituada e deve ter um espaço para fazer as coisas de modo a conseguir os melhores resultados. Como em todo contrato empregatício, o diálogo deve ser o melhor possível sempre.

Não é difícil manter uma boa relação com as pessoas que trabalham para você, nem com aquelas que lhe empregam. O relacionamento deve ser profissional, com respeito e sem muita liberdade entre as partes, mas isso não exclui a possibilidade de se tratarem amigavelmente e, claro, é esse o indicado.


A empregada, quando tratada com respeito e tendo seus direitos reservados, como salário justo e carga horária de 44 horas semanais, vai produzir mais e melhor. E Eliana Gomes indica: "Como é uma relação de confiança, é impossível ser apenas profissional, mas tanto empregada como empregadora devem fazer valer seus direitos e deveres".

* Serviço: Eliana Gomes Menezes, presidente do SINDOMÉSTICA.

Por Juliany Bernardo (MBPress)

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