Psicólogo fala sobre a "cura-gay"

Psicólogo fala sobre a curagay

Foto mother image/Bedford/Corbis

Nesses últimos dias muito se falou sobre o projeto da "cura gay", aprovado pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados na terça-feira (18). Mas qual é a opinião sobre os psicólogos sobre tudo isso?

Nos anos 90, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já falava que homossexualidade é uma variação natural da sexualidade humana, o órgão definiu que ela não poderia ser considerada uma condição patológica. A partir deste entendimento, uma resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP), de 1999, proibiu os profissionais de participarem de terapia para alterar a orientação sexual.

Segundo o psicólogo Dennis SHG Meneses, o PDC 234/11, alcunhado de "cura gay", é um retrocesso: "É vergonha para o nosso país. Apesar da diversidade sexual acompanhar a humanidade desde seu início, no final do século XIX a medicina passou a descrever a homossexualidade como doença", opina. "Esse ‘conhecimento científico’ equivocado serviu de fundamento para a criminalização e terapêuticas desumanas em vários países da Europa e Américas. Somente em 1990 a OMS retirou a homossexualidade da lista internacional de doenças."

O psicólogo lembra ainda que após nove anos o Conselho Federal de Psicologia publicou uma resolução, orientando a atuação da classe frente ao tema e vedando o profissional de psicologia qualquer atuação que se proponha ao tratamento ou cura da homossexualidade, ou se referir a ela enquanto distúrbio psíquico. "Essas foram conquistas de uma população marginalizada e discriminada."

A retirada desse veto da resolução do CFP poderia fazer insurgir, no país, as chamadas terapias de reversão. Dennis revela que a lista de tratamentos utilizados nos Estado Unidos nas décadas de 50 e 60, e em alguns países, até hoje é de arrepiar. Internação compulsória em manicômios, eletrochoque, lobotomia e castração química ou anatômica eram algumas das terapêuticas utilizadas na América do Norte. Já na América do Sul alguns países aplicaram estupros ‘corretivos’ em mulheres homossexuais internadas em clínicas especializadas na reversão feminina.

A homossexualidade ou a discriminação sexual não é considerada o fator mais importante para o psicólogo: "Quem sabe um dia a sociedade entenda que, independente da orientação sexual, todos nós trabalhamos, estudamos, amamos, sofremos e, por fim, buscamos a felicidade e o bem-estar. O sofrimento causado pelo preconceito, na prática e de fato, acaba por se apresentar como sofrimento pela falta de aceitação, principalmente, dos que estão mais próximos."


Com apenas dois votos contrários, o projeto "Cura Gay" precisa passar ainda por outras duas comissões da Casa: Seguridade Social e Constituição e Justiça. Se aprovada em ambas, segue para o plenário da Câmara.

Por Thaís Santos (MBPress)

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