Os mistérios da íris

Os mistérios da íris

A quem diga que os olhos são as janelas da alma. Mais do que isso, eles podem ser o espelho do corpo e desvendar seus desequilíbrios. A partir do estudo da íris, é possível descobrir, por exemplo, se falta algum nutriente no organismo, quais as áreas potencialmente doentes, onde há uma inflamação ou qual a origem de uma infecção. Pelo menos é isso que defende a iridologia, ou estudo da íris, que é a parte colorida dos olhos.

A avaliação da íris não precisa de recursos especiais e é feita a partir da simples observação. É claro que é preciso entender a técnica e saber ler o mapa da íris, mas uma lupa simples pode ser a ferramenta. “É importante deixar claro que o irisdiagnóstico não é o estudo das doenças da íris ou dos olhos, mas sim de qualquer parte do corpo através da íris”, explica o naturopata e bioterapeuta Márcio Corrêa, da clínica Unidade do Ser, de São Paulo. Ele diz ainda que não é feito exame oftalmológico da retina ou da parte posterior e profunda dos olhos. “A iridologia sistêmica é uma ciência que permite detectar perturbações orgânicas, metabólicas, nutricionais, nervosas, hormonais e certas patologias”, afirma.

Isso é possível porque, conforme acredita a iridologia, a íris é muito rica em filamentos nervosos, fabricada com os mesmos tecidos que o cérebro e formada nos primeiros dias de vida do embrião. “As condições anormais no organismo transmitem uma série de mensagem precisas ao cérebro e esse, por sua vez, através do nervo ótico, os comete à íris, que reage com a mudança de cores e alteração no desenho das fibras”, detalha Márcio. A partir dessas mudanças seria possível avaliar as condições do corpo. “Qualquer alteração orgânica projeta, via sistema nervoso, uma modificação no padrão normal da textura e da cor da íris”, diz Márcio.

Conforme explica Márcio, que é membro da Sociedade Brasileira de Iridologia e Naturopatia e trabalha com isso há mais de 30 anos, na íris estão registrados todos os órgãos, funções, sistemas e as diferentes partes do corpo humano. “Na íris direita encontra-se a representação dos órgãos do lado direito do corpo e na íris esquerda a representação dos órgãos do lado esquerdo. Os órgãos pares estão representados respectivamente um de cada lado, e os ímpares apenas no lado em que estão anatomicamente”, completa.

Mas como é feita essa leitura? Segundo conta Marcos, basta dividir a íris radialmente em ângulos semelhantes às horas em um relógio. “Este tipo de divisão facilita a localização dos diversos sinais, proporcionando maior precisão na localização desses em relação aos órgãos e sistemas”, conta.

Além dos problemas físicos, relacionados, por exemplo, à inflamação do intestino, congestão no sistema linfático ou problemas ósseos, a íris também pode ser aliada na hora de investigar problemas psicológicos. Acredita-se que, por meio da iridologia, é possível identificar aspectos comportamentais bem como de suas tendências emocionais e sua íntima correlação psicossomática, ou seja, o desequilíbrio emocional interferindo no equilíbrio orgânico. “É possível avaliar tendências comportamentais como depressão, ansiedade, hiperatividade, dificuldades de comunicação, relacionamento e aprendizagem, conflitos interiores, desequilíbrios na sexualidade, mecanismos do ego, funções motoras, de equilíbrio orgânico e psicológico”, completa a psicóloga Luci Freire, responsável pela área comportamental na Unidade do Ser.

Para avaliar a íris é preciso conhecer o mapa iridológico, criado para facilitar a identificação dos sinais característicos de cada paciente. O mapa (foto) básico para todos é único, mas existem outros, ligados às áreas comportamentais.

“As observações iridológicas são fáceis e simples para um bom entendedor. Com um mapa e uma foto de um olho você pode interpretar estes sinais, avaliando o formato das fibras e descobrindo as ligações hereditárias e suas doenças. A naturopatia tem elementos suficientes para tratar de quase todo o tipo de desequilíbrio físico e energético do corpo humano”, afirma Márcio. Mesmo assim, ele encaminha os pacientes a outros médicos especialistas e psicólogos, para diagnósticos complementares. Um exame iridológico pode custar de R$ 150 a R$ 600 e a consulta dura em média uma hora e meia, dependendo do iridólogo.

Mas é importante lembrar que a iridologia não é uma teoria aceita universalmente. Ela não é reconhecida como especialidade, por exemplo, pelo Conselho Federal de Medicina. “A oftalmologia geral não acredita que através da íris possamos analisar outras partes do corpo ou da mente”, diz a oftalmologista Ana Paula Canto. Segundo ela, existem doenças do corpo que podem causar alterações nos olhos. “Um exemplo é a artrite reumatóide, que pode ter como primeira manifestação a esclerite, uma inflamação da esclera (parte branca do nosso olho)”.

Outras doenças que causam especificamente alterações na íris são a hanseníase e a sífilis. “Algumas vezes, a íris sofre alterações também após algum procedimento cirúrgico”, completa. A médica afirma ainda que a iridologia é uma visão holística sobre a íris e não acredita na teoria por falta de comprovação científica sobre sua eficácia.


Por Sabrina Passos (MBPress)

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