O que você faz com o seu lixo eletrônico?

O que você faz com o seu lixo eletrônico

Os eletrônicos são consumidos com uma intensidade cada vez maior. Celulares, por exemplo, há quem os troque todo semestre. A facilidade em adquirir esses produtos, no entanto, traz consigo um grave problema: o descarte do lixo eletrônico. Hoje, virou questão de saúde pública, já que feito de forma incorreta, acarreta em altos riscos. Isso porque, na fabricação desses produtos são utilizadas substâncias tóxicas e metais pesados.

"O ideal é que os produtos passem por um processo seguro e eficiente que privilegie o reaproveitamento das matérias-primas e também o descarte seguro das que não puderem ser reutilizadas", afirma Ernesto Watanabe, diretor da "Descarte Certo", empresa de gestão do lixo que surgiu justamente da observação de que o recolhimento desse material era precário e de difícil acesso. A empresa retira em casa mais de 90 tipos diferentes de eletrônicos - de linha branca (geladeiras, fogões, lavadoras, etc.), marrom (áudio e vídeo), e eletro portáteis, informática e telefonia.

Ernesto explica que antes de depositar o lixo é necessário acondicioná-lo adequadamente, para que não ocorram vazamentos das substâncias tóxicas, como mercúrio, chumbo, fósforo e cádmio. Também é importante selecionar o meio de transporte e o destino do lixo.

Ele conta como a "Descarte Certo" faz isso: "O lixo eletroeletrônico não é totalmente descartável. Dele podem ser extraídos minerais como ferro, cobre e alumínio, que são reutilizados sem prejudicar o meio ambiente. Este material vai para recicladoras certificadas, a fim de serem reaproveitados, reduzindo a necessidade de se extrair mais elementos da natureza. As substâncias que não puderem ser reaproveitadas são encaminhadas para aterros com a classificação exigida".

No entanto, esse processo tem custo, pois engloba diversas etapas, demandando mão de obra e máquinas. "O custo depende do tipo de produto e do tamanho (peso/volume). Difere por tipo de produto porque uns permitem o reaproveitamento de mais substâncias que os outros. Por outro lado, uns exigem mais cuidados que os outros", argumenta o diretor. "Além do tratamento das substâncias que não têm como ser reaproveitadas, a separação das demais é um processo semelhante à manufatura, empregando pessoas e máquinas para maximizar o reaproveitamento". Os produtos coletados nas residências e empresas, eventualmente, são armazenados, antes de serem encaminhados às empresas de manufatura reversa, em operadores logísticos, exclusivamente para otimizar custos de transporte.

Para calcular quanto custaria descartar suas coisas, você pode acessar o site http://www.descartecerto.com.br/Consultas/AgendamentoColeta.aspx e fazer uma pesquisa simples, por CEP ou cidade. Se você mora em São Paulo, por exemplo, vai pagar R$ 42 para se livrar de uma câmera velha, R$ 2,90 para CDs, fitas e mídias em geral e R$ 9,90 para um celular. Eletrodomésticos de grande porte custam R$141,90 para serem recolhidos e uma geladeira pode chegar a R$ 152. Um computador, sem monitor, é recolhido na capital paulista por R$ 83,90 e um notebook por R$ 97,90.

Está enganado quem pensa que doar a impressora quebrada aos catadores de lixo resolve o problema, pois "eles apenas retiram as partes que sabem valer algum dinheiro e jogam o resto fora no primeiro lugar que encontram, às vezes no meio da calçada", alerta Ernesto. "Destes produtos vão vazar elementos tóxicos contaminando o ar, solo ou os lençóis subterrâneos, responsáveis por mais de 90% da água que consumimos".

Diante de tantos danos causados pelo descarte errado, ele define seus clientes como "pessoas conscientes e preocupadas com as questões ambientais. Nosso objetivo é ajudá-las a tornar o mundo mais sustentável".


O blog www.lixoeletronico.org é ótima fonte de referência sobre o assunto e visa a incentivar conversações relacionadas ao consumo (e descarte) responsável. Dados de estudo feito pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas/CEMPRE, há cinco anos, e publicados no blog, já levantava que o Brasil produzia 241 mil toneladas de lixo, das quais 90 mil são de origem domiciliar. A média nacional de produção de resíduos por habitante estaria em torno de 600 g/dia. Uma cidade como São Paulo, no entanto, produz em média 1 kg/dia de lixo por habitante.

Por Roberta Maria Carlos (MBPress)

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