O hábito de pedir desculpas

Tenho observado como nós mulheres temos a "mania" de pedir desculpas por tudo e por nada! Mesmo sem cometer um "erro" ou motivo, muitas mulheres se sentem culpadas e pedem que os outros as perdoem. Às vezes parece ser uma mera questão de modos, mas soa artificial, uma mera formalidade.

Se pensarmos porque solicitamos que o outro nos perdoe, o que me surge, a priori, não é devido à percepção dos sentimentos do outro, originada pela capacidade de empatia (habilidade de se colocar no lugar do outro) mas, a necessidade de desculpar-se aparece pelo receio infantil de ter magoado a outra pessoa e, portanto, correr o risco de perder seu afeto. Através da tentativa de agradar tentamos manter o outro próximo, conservando seu amor.

Um de nossos medos mais primitivos é a possibilidade de ser rejeitado por alguém que nos é caro. A necessidade de agradar o outro sem motivo algum, para conservar o seu amor pode revelar uma vulnerabilidade que se esconde por trás da fachada das "boas maneiras", de ser "educado".

Na infância, já nos primeiros anos de vida, nos quais muitas crianças são protegidas e dependem do reconhecimento dos seus pais para se auto afirmarem, aparece este medo de perda dos seres queridos. Ou, em outros casos, quando a criança sofre experiências que provocaram sentimentos de abandono intenso, a necessidade da presença do outro é sentida como crucial para sentir-se seguro. Nestes casos sua autoestima depende da imagem que o outro tem dela. Precisam da aprovação do outro para se valorizar. Sem um olhar que a confirma, a criança sente que é incapaz de se amar.

Adultos que tiveram uma educação severa ou são muito exigentes consigo mesmo carregam um sentimento de culpa intenso. Pedem desculpas freqüentemente, não por um fato cometido, mas por algo que talvez inconscientemente desejaram e que a "boa educação" que receberam não lhes permite dizer ou fazer.

Às vezes, um comportamento aparentemente polido encobre muitos sentimentos e emoções que às vezes não imaginamos. Pedir desculpas pode trazer vantagens para algumas pessoas muito egocêntricas. É uma forma de se apropriar de algo, ou seja, ter provocado algo no outro e desta forma exercer o controle sobre o outro. Aquilo que o outro sente é um efeito de algo que eu fiz, outorga-se, assim um sentimento de poder sobre o outro.

Frequentemente, este comportamento pode ser observado em funcionárias em relação ao seu chefe, e por quem sentem uma admiração doentia. O chefe, ocupa freqüentemente o papel de pai, particularmente quando esta figura, faltou nos anos da infância e a adolescência. Nesta relação extremamente erotizada se confundem sentimentos de atração sexual, dependência, paixão, lealdade e amor.


É importante que as mulheres possam tomar consciência destes sentimentos e poder discriminar suas necessidades, pois desta maneira, talvez sofram menos, na medida em que possam escolher seus amigos e parceiros pelos sentimentos que eles evocam, e não levadas por impulsos que se originam de carências infantis.

Maria Cristina Capobianco é psicóloga e autora do livro "O corpo em off" (Ed. Liberdade).

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