Não é Não! Campanha distribui tatuagens contra o assédio no Carnaval

Entendeu ou quer que eu escreva?
Não é Não tatuagem

Foto: Paula Molina e Henrique Fernandes/Divulgação

Carnaval é tempo de brincadeira, alegria e, infelizmente, preocupação. Há anos as mulheres vem recebendo investidas desrespeitosas de alguns homens durante a tradicional festa. Puxar pelo braço, cabelo e até mesmo ignorar o "não" e já sair beijando são atitudes que toda mulher que já foi pular carnaval conhece.

Para se posicionar contra o assédio, um coletivo de mulheres criou a tatuagem temporária "Não é Não". “Foi preciso escrever para as pessoas entenderem que não é não”, disse Luiza Alana, integrante do grupo que implementou a ideia.


A ideia começou no Rio de Janeiro durante o carnaval do ano passado. A distribuição gratuita das tatuagens com os dizeres “Não É Não!” deu tão certo que agora se espalhou por São Paulo, Bahia, Pernambuco e Minas Gerais.

Não é Não carnaval

Foto: Paula Molina e Henrique Fernandes/Divulgação

“É o resultado de um financiamento coletivo. A distribuição é gratuita. É a primeira vez que Belo Horizonte participa. A gente já começou a distribuir o projeto durante os ensaios de blocos e a aceitação tem sido muito positiva, tanto das mulheres quanto dos homens”, disse Luiza. A expectativa é que 4 mil tatuagens temporárias sejam distribuídas durante o carnaval.

Luiza falou que as cartelas são destinadas apenas às mulheres. “Teve caso de amigos que pediram a tatuagem, mas eu tive que explicar que o corpo que ainda precisa dizer ‘não’ é o da mulher. É o meu [corpo]. Mas nós queremos que os homens também entrem na luta contra o assédio se conscientizando, ‘puxando a orelha’ daquele amigo mais folgado, denunciando e nos ajudando quando presenciarem alguma situação assim”, disse ela.

Não é Não tatuagem

Foto: Paula Molina e Henrique Fernandes/Divulgação

Colar a mensagem no próprio corpo é algo poderoso, segundo Luiza. “É uma atitude forte. O projeto pretende criar uma rede de apoio para que as mulheres possam se identificar através da tatuagem, fazendo com se ajudem e se protejam contra o assédio”, explicou a ativista.

Em Belo Horizonte, os blocos Alô Abacaxi, Garotas Solteiras, Bruta Flor, Acorda Amor e É o Amô são parceiros do projeto. Luiza, que toca em pelo menos quatro deles, além do Então, Brilha!, Us Beethoven e Roda de Timbau, disse que a proposta é disseminar as tatuagens por todo o carnaval.

“Esse assunto [assédio] vem crescendo, as denúncias vão aparecendo. Não é porque os casos estejam aumentando. Eles sempre existiram, mas agora a gente tem tido coragem para falar e isso nos torna cada vez mais seguras”, disse Luiza.

Pode brincar, paquerar, beijar, desde que todo mundo esteja de acordo. “Não é não!” já é dito. Agora foi preciso “escrever” no corpo. A expectativa é que não seja preciso desenhar também.

Em Pernambuco, a revolta e o descontentamento com as experiências de assédio no carnaval motivaram três organizações da sociedade civil a criar uma ferramenta independente para ouvir e acolher vítimas desse tipo de crime no Recife e em Olinda.

A iniciativa #AconteceuNoCarnaval existe desde 2017, mas, em 2018, a ferramenta ganhou um WhatsApp para receber relatos de foliões que presenciaram ou sentiram na pele a violência de gênero. A ideia é dar visibilidade ao problema e cobrar respostas do poder público.

Não é Não carnaval

Foto: Paula Molina e Henrique Fernandes/Divulgação

Além das denúnciais, as casas do Sítio Histórico de Olinda também poderá 'se marcar' como um local de apoio às mulheres que sofrem algum tipo de violência. A iniciativa também pretende distribuir fitas de identificação para que as mulheres possam se reconhecer na multidão e pedir apoio umas às outras.

No Rio de Janeiro, a Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI) vai lançar a campanha "Carnaval é curtição, respeita o meu não", contra o assédio sexual durante o carnaval. O material será veiculado no BRT, MetrôRio, SuperVia e nas redes sociais.

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