Mulheres realizam Marcha das Margaridas em Brasília

Mulheres realizam Marcha das Margaridas em Brasíli

Foto/ Reprodução site Contag

Começa hoje e vai até quarta-feira a Marcha das Margaridas em Brasília, a maior manifestação feminista realizada na América Latina, que contará com cerca de 100 mil mulheres para o ato de agricultoras familiares. A Marcha se consolidou na luta contra a fome, a pobreza e a violência de gênero a partir de grandes mobilizações nacionais. Nesta edição as mulheres marcharão com o lema "Desenvolvimento Sustentável com Justiça, Autonomia, Igualdade e Liberdade".

As milhares de trabalhadoras do campo, da floresta e da cidade marcharão pelas ruas de Brasília para apresentar as pautas da Marcha das Margaridas, quarta edição do ato. A ação acontece na Cidade das Margaridas, instalada no Parque da Cidade, no Plano Piloto.

A coordenadora geral da Marcha das Margaridas, secretária de Meio Ambiente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e secretária de Mulheres Trabalhadoras Rurais da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Carmem Foro, afirmou em entrevista que as mulheres saíram de várias partes do Brasil a fim de mudarem suas vidas.

Segundo Carmem a pobreza no Brasil tem cara e a mulher é a mais afetada por esse problema. "Nós temos a absoluta certeza de que a pobreza no nosso país tem sexo, tem a cara feminina; tem cor, pois são negras as pessoas mais pobres; e tem lugar: estão no campo e na periferia das cidades", afirmou Carmem Foro.

Na manhã de hoje aconteceu o lançamento de uma campanha contra o uso agrotóxicos e um ato público no Congresso Nacional pela reforma política. Atividades culturais, painéis de debates sobre desenvolvimento sustentável e um show, no final da tarde, com a cantora baiana Margareth Menezes fazem parte da programação.

A Marcha das Margaridas homenageia o legado de Margarida Maria Alves, dirigente sindical e símbolo da luta das mulheres por terra, trabalho, igualdade e justiça. Ela rompeu os padrões de gênero em sua época ao ocupar por 12 anos a presidência do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Alagoa Grande (PB), município a 100 quilômetros a oeste da capital.

Margarida lutava pelos trabalhadores rurais, contra o analfabetismo e pela reforma agrária. Ela morreu aos 50 anos assassinada por um pistoleiro, em 1983, a mando de usineiros da Paraíba.

A Marcha das Margaridas tem como objetivo dar visibilidade às lutas das mulheres do campo e da floresta e para denunciar a impunidade contra as mortes de trabalhadores rurais. Na quarta (17), a partir das 7h, as mulheres seguirão em marcha à Esplanada dos Ministérios para a grande manifestação em frente ao Congresso Nacional. O encerramento acontece na Cidade das Margaridas, às 15h, com a presença da presidenta Dilma Rousseff.

A Marcha se consolidou na luta contra a fome, a pobreza e a violência de gênero a partir de grandes mobilizações nacionais realizadas em 2000, 2003 e 2007. Nesta edição de 2011, as mulheres marcharão com o lema "Desenvolvimento Sustentável com Justiça, Autonomia, Igualdade e Liberdade".

Reivindicações

As pautas de reivindicações levadas ao governo partem da constatação de que a pobreza, a desigualdade, a opressão e a violência predominam entre as trabalhadoras do campo e da floresta.

Desta maneira, as mulheres construíram pautas de reivindicações baseadas em sete eixos, divididos em mais de 150 pontos. Eles abordam questões como democratização dos recursos naturais, atualização dos índices de produtividade, fim da violência no campo, maior participação política da mulheres e melhores condições de trabalho, com autonomia e igualdade. A pauta com as reivindicações já foi entregue ao governo no dia 13 de julho, no Palácio do Planalto.


No deslocamento das mulheres para a Marcha das Margaridas, atos políticos acontecerão nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, coordenados pelas federações de trabalhadores e trabalhadoras rurais de todo o país.

Por Catharina Apolinário

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