Mulher "nem" - já ouviu falar?

Mulher “nem”  já ouviu falar

Há um novo estilo ganhando destaque no Rio de Janeiro e não é de música. Estou falando de uma tribo chamada "mulher nem". Com comportamento e roupas muito características elas estão conquistando espaço nas praias, shoppings e vans da capital fluminense.

Podemos dizer que as "nem" são uma versão atualizada das periguetes. "É muito mais periguete. O estilo tem mais a ver com comportamento, quando elas estão a fim, vão para cima, fazem e acontecem", diz Lucas Ribeiro, redator publicitário que mantém um blog chamado "Mais ou menos", na página ele e Leo Valpassos publicam textos sobre suas análises de fatos e comportamentos do cotidiano da cidade. É possível notar que há periguetes de classe média, por enquanto, nem só são encontradas nas classes mais baixas. "O que elas têm em comum é o querer aparecer, elas usam principalmente as roupas para isso", observa.

Algumas atitudes caracterizam bem as mulheres "nem": ouvir música alta no transporte público (elas adoram andar de van), usar o viva-voz ou o rádio para conversar com as colegas, tatuar "Jesus" ou o nome de algum parente no braço, usar piercing de pingente bem grande no umbigo, barriga à mostra não pode faltar, por isso elas só usam top.

Lucas, em parceria com Leo Valpassos, publicou uma lista com dicas para identificar uma nem assumida. "Anote aí: corte a letra ‘m’ do final das palavras. Exemplos: garage, viage, passage, Já que estamos nessa onda de cortar tudo, retire o ‘d’ quando o verbo estiver no gerúndio. ‘Falano’, ‘cantano’, ‘fazeno’, por exemplo. Por último, elimine também a letra ‘s’ dos plurais. Como, ‘as criança’, ‘os motoboy’, ‘os churrasquinho’ e ‘as carne’.

As sugestões não param por aí. Uma verdadeira nem chama "jantar" de "janta" e qualquer tipo de massa de macarrão. Também tira foto nos provadores das lojas e na frente do espelho do banheiro. Quando elas vão à praia levam uma caixa de isopor com comida e descolorante de pelos. Sempre que fazem uma pergunta, começam e terminam com "tu". Exemplo: "tu vai lá, tu?". Lucas se diverte: "Vem cá, tu tem Facebook, tu? Ih, esquece, quem é ném mesmo tem é Orkut."


Ser nem não é privilégio feminino, também há homens nem. "Eles aproveitam o salário para deixar o carro tunado. No mínimo, no mínimo, ele deve ser rebaixado e com insulfilm. Mas para ser completo mesmo, instale um som boladão para ouvir música alta na orla. Com o porta-malas do carro aberto, é claro", sugere Lucas.

Atenção para última característica: elas trocam qualquer vocativo pela palavra "nem". Não dizem moço, senhor, cara, rapaz chamam todo mundo de "nem". Agora que você já sabe como elas agem talvez as reconheçam nas ruas.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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