Mulher conta como se livrou do crack

Há esperança para o crack  Uma história de superaç

O Brasil tem cerca de 1,2 milhão de usuários de crack de acordo com dados apresentados pelo psiquiatra Pablo Roig, na ocasião do lançamento da Frente Parlamentar Mista de Combate ao Crack, na Câmara dos Deputados. O crack não escolhe classe social, idade ou gênero. Milhões de brasileiros estão nas ruas diante da decadência que a droga traz. O Vila Equilíbrio traz uma história de superação de uma mulher contra o crack.

Simone é responsável pelo Centro Feminino da Fazenda da Esperança, na unidade de em Campo Grande. Natural de Jequié, Bahia, ela começou a usar drogas aos 12 anos, fumando maconha. "Logo depois conheci amigos que me oferecerem a cocaína e o crack. E a morte do meu irmão nessa época foi um motivo para que eu me afundasse ainda mais na vida de droga, de tráfico e de prostituição" afirmou.

Para ela, as drogas eram refúgio e uma forma de solucionar seus problemas, mas com o passar do tempo ela deixou os estudos, perdeu a confiança de sua família e o respeito da sociedade. "Chegou um ponto que eu não aguentava mais viver aquela vida e eu pedi ajuda. Uma amiga que morava na mesma cidade e já tinha passado pela Fazenda da Esperança me encaminhou para a fazenda de Jequié. No começo foi muito difícil para mim, pois não era acostumada a viver com regras e limites. Eu queria fazer as minhas vontades e agir do meu jeito", contou.

A moça conta com orgulho que aos poucos se adaptou as regras da casa e de convivência. Isso abriu os olhos dela para um novo jeito de viver. "Aprendi a respeitar o próximo e a aceitar cada pessoa como ela é. Encontrei uma maneira de lidar com meus problemas e com as minhas dificuldades do dia a dia. Hoje eu me sinto uma mulher nova e digna. Quero viver como Deus quer e tenho muita vontade de passar aquilo que eu aprendi para as pessoas que precisam," afirmou. Hoje Simone é voluntária na Fazenda da Esperança de Campo Grande.

Fazenda da Esperança

São como se intitulam as comunidades terapêuticas que abrigam jovens dependentes químicos que anseiam por se ver livres das drogas e do álcool. O trabalho começou em uma esquina, quando Nelson Giovaneli se aproximou de um grupo de jovens que consumiam e vendiam drogas perto de sua casa. No ano de 1983, na esquina da rua Tupinambás com a Guaicurus, no bairro do Pedregulho, na cidade de Guaratinguetá, que fica no interior de São Paulo.

Nelson conquistou a confiança do grupo de dependentes químicos, até que um deles, Antonio Eleutério, pediu ajuda para se libertar das drogas. O frei alemão Hans Stapel foi incentivador de Nelson e em 1992 foi trabalhar integralmente na Fazenda da Esperança. A Fazenda se espalhou pelo mundo todo, tendo sua primeira sede internacional na Alemanha.


Mulheres na Fazenda da Esperança

O trabalho de recuperação de mulheres começou em 1989 na cidade de Guaratinguetá. Iraci Leite e Lucilene Rosendo, conhecida por Luci, iniciaram o trabalho de recuperação feminina.

Por Catharina Apolinário

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