I Ching

I Ching

O I Ching, também conhecido como "O Livro das Mutações", é um tipo de bíblia sagrada para os chineses, a base de toda a ciência clássica deles. Alguns historiadores acreditam que a obra exista há mais de 3 mil anos. Mas muito mais do que um oráculo, ele é uma ampla fonte de sabedoria para quem o estuda e quem o pratica. Existem registros, por exemplo, datados de 1943 - durante a Segunda Guerra Mundial - em que o alto comando japonês teria o utilizado para estudar situações concretas de batalha.

Para qualquer tipo de pergunta que se queira fazer, o I Ching tem uma resposta. E mesmo sendo fruto de uma região que preza a sutileza, ele é muito concreto e dá respostas objetivas. O que precisa ser feito é interpretar a mensagem de acordo com a pessoa que pergunta e com a situação pela qual está passando. Então, qualquer um pode usá-lo e em qualquer tipo de circunstâncias.

A estrutura do livro é um pouco complexa, escrita em torno de 64 símbolos de seis linhas paralelas, mas nada que um curso especializado não resolva. Isso mesmo, existem cursos que ensinam a ler e, aos poucos, ter mais intimidade e melhor interpretar a filosofia. "Do meu ponto vista, o I Ching é realmente admirável. Mas ele só pode ser devidamente compreendido e apreciado se primeiro o indivíduo se der conta do refinado sistema lógico chinês pelo qual se articulam os hexagramas e as imagens do texto", conta o antropólogo e um dos mais antigos estudiosos do I Ching no Brasil, Ion Freitas Filho.

Os chineses acreditam que qualquer um está apto a ler e interpretar o I Ching. Para eles, tudo o que existe faz parte do cosmos Uno, interagindo entre si e intrinsecamente interligado. Sendo o cosmos algo perfeito, todas as respostas estariam de acordo com aquele momento, de acordo com o pensamento, com o tempo, com o dia. Tudo em perfeita harmonia e funcionamento.

E, pelo que garantem os chineses, nada daquelas histórias de misticismo ou esoterismo. É a pura e simples lógica. O I Ching apenas fornece um sistema codificado para facilitar esta leitura. "Ele é diferente da astrologia, porque é uma espécie de arte marcial perante o real. Aborda como a pessoa, na qualidade de livre-arbítrio, pode enfrentar a situação", diz Ion.

Muitos afirmam que é necessário que seja feita uma pergunta de cada vez e que ela seja precisa e clara. Ion, no entanto, diz que em suas consultas, realizadas em cidades como São Paulo, Rio, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Niterói e Blumenau, deixa as pessoas pensarem livremente e fazerem quantas perguntas quiserem. Elas precisam apenas mentalizar aquilo que querem saber. Para isso, basta acreditar que compreendendo bem a interação das forças dentro de um contexto, você sempre pode utilizá-las a seu favor. Vale a pena tentar.

Por ser uma interpretação muito complexa, que exige reflexão por parte do ‘jogador’, deve-se evitar perguntas que sejam respondidas com ‘sim’ e ‘não’. Serão necessárias três moedas que, ao serem jogadas, formarão os hexagramas utilizados para a leitura. Os chineses utilizam de moedas chinesas, mas você pode utilizar qualquer uma.

Quem quiser entender ainda mais dessa filosofia pode ler a versão do I Ching de Richard Wilhelm, com prefácio de Jung. Segundo Ion, é ainda a maior edição do "Livro das Mutações".


Na próxima semana, confira no Vila Astral dicas de como jogar o I Ching!

Por Tissiane Vicentin (MBPress)

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