Heroínas no cinema e na vida real

Heroínas no cinema e na vida real

A noiva interpretada por Uma Thurmam (Kill Bill), que teve sua filha roubada, sua vida arruinada por conta de seu ex-marido. Ela jurou vingança igual aos filmes do velho oeste e Kung Fu, caçou um a um até ter a guarda da filha na marra. Foto Reprodução Site IMDb

A arte imita a vida, definitivamente. Se as mulheres fazem o papel de verdadeiras heroínas no mundo real é nas telonas que elas também assumem o posto de guerreiras. Personagens diversos e nos mais diferentes enredos têm mostrado que a intensa briga do universo feminino por reconhecimento social e profissional se reflete no cinema. Autossuficientes e de personalidades fortes, essas heroínas apresentam pleno domínio de armas e exalam sensualidade.

Vébis Junior, Mestre pelo Instituto de Artes da Unesp e coordenador do curso de Produção de Áudio e Vídeo da Etec Jornalista Roberto Marinho, pensa que o filme "Barbarella", de Roger Vadim, de 1968, talvez tenha sido um dos primeiros filmes a trazer a personagem de uma heroína para as telas. "Se não foi o primeiro, foi sim o divisor de águas para o cinema, apresentando a diva da época, Jane Fonda, numa aventura galáctica, que respondia ao universo machista de filmes como "Flash Gordon", diz.

De uma coisa as heroínas do cinema ainda não fugiram: da ditadura da beleza. A maioria das mulheres que ocupam este posto nas telonas são muito bem apessoadas. "Como vivemos num mundo de mentiras visuais, e o cinema reforça isso, o apelo sensual talvez seja o primeiro fator que define a figura de uma mulher poderosa. Afinal, poucos comprariam a ideia de uma heroína na figura de alguém pouco atraente", afirma Vébis. "Jane Fonda, por exemplo, era uma das sex symbols da época."

Ao mesmo tempo, ele acredita que a participação da mulher em papéis heróicos veio para tentar mudar o comportamento machista que impera no mundo. "O universo fortemente masculino não está preparado para ver mulheres que resolvam tudo sozinhas, não entendeu que o poder feminino cresce a cada dia. Poucas pessoas assumem, mas a mulher tem recebido o título de batalhadora mais por sobreviver em um mundo que omite sua nova postura."

Uma característica comum entre as heroínas que marcam presença no cinema é a batalha pelo que elas acreditam. Junior cita como exemplo o papel de Julia Roberts em "Erin Brokovich", cuja atuação lhe rendeu um prêmio. "Víamos nela a figura da mãe que criava filhos e que estudou Direito para investigar um caso. Outra figura feminina que chamou atenção no cinema, desta vez nacional, foi Estamira, do documentário de mesmo nome, que dificilmente teria chance diante dos olhares machistas do cinema e sua repercussão".

Vébis faz uma crítica às heroínas desta nova safra cinematográfica e acredita que, infelizmente, poucas trazem conteúdo. "Uma boa parte ainda está ligado à aparência. Mas acho que a atriz Chloe Moretz, no filme "Kick Ass - Quebrando Tudo", é uma garota fantasiada que resolve erros à força". E o que esperar das próximas heroínas?

"De algumas, esperaremos pancadaria com classe. De outros, esperamos vencer na vida e se superarem. No final, o ciclo de mulheres está sempre baseado nos arquétipos que as lendas nos trazem", acredita.

O coordenador do curso de Produção de Áudio e Vídeo da Etec Jornalista Roberto Marinho selecionou algumas heroínas e vilãs que por vez ou outra roubaram a cena em alguns filmes. Confira:


O universo dos quadrinhos também construiu suas heroínas. "A Mulher Gato (nada contra Hale Berry, mas Michelle Pfeifer era mais comprometida), Elektra Assassina, teremos logo mais a estréia de "Os Vingadores", com Scarlett Johanson interpretando a Viúva Negra", lembra Vébis. "Até mesmo a Disney já nos demonstrou que a mulher cresceu na sociedade quando criou o desenho "Mulan", e a Dreamworks não deixou por menos e fez com que a Fiona, de "Shrek", fosse uma mulher/ogra autossuficiente", completa.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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