Fomo: o tique do atualizar para não perder nada

Fomo o tique do atualizar para não perder nada

Um fenômeno surge frente aos avanços tecnológicos. Algo novo no seio social que pode ser causado pela velocidade das informações: o medo de ficar por fora dos fatos, das novidades, que leva ao tique do ‘clique para atualizar’. O termo fomo, sigla de "fear of missing out", ou medo de ficar por fora, foi apresentado em matéria do jornal New York Times. Mais uma descoberta médica contemporânea e pós-moderna da psicologia na era digital.

O medo de ficar por fora caracteriza, por exemplo, aquele sujeito que olha as mensagens no celular durante sessão de cinema. Esta pessoa não consegue ou não quer estar por fora do que acontece no mundo durante o filme. Ou pessoas que escrevem mensagens de texto, ou lêem, dirigindo seu carro, colocando sua vida em risco por não querer perder a conexão social, com os fatos, com o que está rolando.

A fomo tem a ver com o modo como lidamos com o monte de informações com as quais somos todo dia bombardeados diariamente, o tempo todo. Em tempos de mídias sociais e globalização da informação em tempo real, cada segundo perdido parece deixar atrás aqueles que não podem acompanhar. Daí, o sentimento de desatualização, o medo de desconhecer algo ou de perder uma oportunidade.

O site Urban Dictionary desde 1999 define expressões cunhadas na vida contemporânea e definiu "fomo" como o medo de perder, ou a perda, propriamente dita, de algo interessante, importante ou mesmo divertido, como uma simples piada.

O termo está virando mania, mas há que diga que já existia há muito tempo, porém foi potencializado com as novas mídias sociais e artigos tecnológicos. O termo fomo pode ter diversas acepções. Pode ser usado para dizer que um indivíduo é fomo por não ter Gmail, ou que ir a um show ou evento é uma questão de fomo. Enfim, mais uma palavra, que traz traços da nova sociedade tecnológica e que possibilita infinitas possibilidades de uso. Você não conhecia? É uma questão de fomo amiga!

Rede social e rede familiar

A coluna de Jenna Wortham, no The New York Times, fala de fomo como um fenômeno que pode causar ciúme. Jenna afirma que muitos amigos dela do Twitter concordam que por gostarem tanto de estar nas redes sociais, por vezes provocam ciúme em suas famílias e amigos. Sugestões como deixar seu telefone fora da vista, limitar a quantidade de tempo gasto no Facebook durante o fim de semana, ou colocar o telefone em silêncio quando as "dores familiares de fomo" começam a surgir foram dadas por ela.

Jenna afirma que o bem supera o mal. "Eu gosto de ter a janela para a vida dos meus amigos, o suficiente para engolir qualquer sentimento de inadequação que possa surgir por causa disso. Mas eu acho que ainda estamos aprendendo como processar o fluxo constante de informações que agora está sendo canalizada diretamente em nossos computadores e smartphones - para não mencionar a gama de emoções misturadas que vêm com isso" , avaliou Jenna.

Sozinhos juntos

A autora do livro "Sozinhos Juntos", a socióloga norte-americana Sherry Turkle reconhece que todo mundo tem fomo de alguma maneira. Ela ressalta que nas redes sociais as pessoas criam personagens, perfis que não condizem com suas realidades. "E é preciso atentar para o que a pessoa representa online", afirmou.


A escritora lembra ainda que a internet deixa-nos vulneráveis. Existe a ilusão de ter companhia sem precisar corresponder e ela com amizade. "Simplificando, é mais fácil teclar do que conversar. E isso nos mantém ocupados a ponto de procurarmos relacionamentos online que representem menores riscos emocionais", lembrou. Ela ressalta que, pela praticidade da internet, é fácil encontrar alguém para se relacionar. A solidão e o desejo de estabelecer contato são verdadeiros, mas a companhia é que pode não existir de fato.

Por Catharina Apolinário

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