Feminismo no século 21: quais são as novas lutas?

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Foto - midiaindependente.org

Joana*, de 30 anos, é feminista, conversa e debate muito sobre o assunto, participa de grupos, encontros e conhece os males do machismo de perto. Qual a diferença entre esta "brasileira comum" e Leila Diniz, Madalena Barbosa ou Simone de Beauvoir - grandes feministas da história? Desde que essas importantes figuras soltaram a voz, as mulheres conquistaram algumas mudanças, mas a busca pelos direitos de cada um continua. E é aí que entra Joana.

Para ela, muitas alterações aconteceram no cenário feminista, mas não é o suficiente. "Hoje nós podemos trabalhar, mas até que ponto vai a vantagem? Essa é uma ‘conquista assimilada’, porque a mulher precisa além de trabalhar cuidar do companheiro, dos filhos, da casa e, tudo isso, sendo linda e perfeita o tempo todo", explica.

A atual luta do feminismo vai além de pensar apenas nas mulheres. Sexismo (coisas de homem e coisas de mulher), culpabilização das vítimas ("com essa saia curta, ela estava pedindo para ser estuprada"), descriminação de gêneros não-hegemônicos (como as pessoas trans) e a busca incessante pela eterna juventude e beleza feminina também estão na lista de coisas a serem transformadas pelo feminismo.

Silvio Ferreira Pinto, professor de sociologia da Universidade Cruzeiro do Sul, vê uma certa dissolução de valores antes arraigados na sociedade. "A mulher atualmente pode experimentar a liberdade em diversos aspectos e o homem que tem que acompanhar seu ritmo. Muita coisa já foi combatida e agora é hora de oxigenar as conquistas para a sociedade evoluir", afirma.

Apesar de a sexualidade feminina ter ganhado muito espaço, ainda vemos episódios de pornografia de revanche, feita por amantes normalmente frustrados por serem abandonados. Outra questão: mesmo com as mulheres no mercado de trabalho, seus salários continuam cerca de 30% menores do que os masculinos.

O que falta, então?

Talvez a resposta para a continuação dessa evolução de igualdade de gêneros esteja no apoio mútuo e na concentração de todos a um objetivo comum. "Mulheres devem se apoiar mutuamente e criar espaços seguros para conversar. Somos todas irmãs e não inimigas", incentiva Joana.

Os rapazes também precisam ter parte nessa ideia, reconhecer que têm diversas vantagens sociais apenas por terem nascido homens e apoiar atitudes que contemplem melhor as mulheres, que podem ser suas mães, filhas, irmãs e amigas próximas. Seja incentivando a própria empresa a dar a mesma remuneração a todos que ocupem os mesmos cargos, seja não assediando mulheres nas ruas, homens são parte fundamental de um mundo melhor.

Atualmente, a luta do feminismo não é por igualdade de direitos entre homens e mulheres, mas entre todos os seres humanos, respeitando cada uma de suas características. Essa é a nossa nova luta, mulheres.

* Nomes fictícios foram adotados para manter a privacidade dos entrevistados

Por Juliana Lopes

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