Fé virtual: você participa de correntes na internet?

Fé virtual você participa de correntes na internet

Uma mensagem extensa de paz e, no final, o aviso: "repasse para 10 pessoas queridas e algo de muito bom acontecerá com você ainda hoje; não quebre esta corrente, tenha fé, e repasse agora". Quem nunca se deparou com uma corrente virtual de fé ou oração no seu e-mail? De autoria normalmente desconhecida, esse é o tipo de mensagem cada vez mais difundida pela internet, e que mexe profundamente com a superstição que existe por trás de cada um.

"Quase sempre eu tenho o impulso de deletar as correntes virtuais assim que recebo na minha caixa postal, mas já houve ocasiões em que eu li toda a mensagem e acabei repassando a alguns amigos, só para ver o que aconteceria", diz a secretária Marina Maia (nome fictício). Como ela, um número incontável de anônimos também testa, vez por outra, os efeitos das correntes via internet, numa clara demonstração de que a tecnologia ajuda a expandir a fé virtual.

"A fé virtual não apresenta novidades na prática da devoção. O que se vê é a intermediação dos veículos eletrônicos no sentido de expandi-la e gerar maior visibilidade por meio de recursos tecnológicos", diz a professora Eliane Gouvêa, do núcleo Religião em Sociedade, que faz parte do programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da PUC.

Segundo ela, existem algumas modalidades que levam os internautas a participarem das correntes virtuais de fé. "Uma é a curiosidade aliada ao anonimato. A outra é a facilidade de não ter de ir às igrejas. De casa mesmo é possível acessar". De qualquer forma, ela diz, a fé via internet não compete com as ações presenciais. "As pessoas demonstram necessidade de ir a locais sagrados".

De acordo com o catolicismo, superstição é bobagem. Valeria mais a pena rezar e praticar boas ações do que enviar e-mails a amigos visando uma recompensa pessoal. Aqueles que já repassaram as mensagens e nada receberam em troca concordam. "Realmente nada de muito interessante aconteceu comigo mesmo que eu não tenha quebrado as correntes", afirma a secretária Marina Maia.

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Já os que relacionam grandes surpresas com o repasse das correntes virtuais, a história é diferente. "Se o benefício prometido se concretiza, o participante torna-se um verdadeiro fã, e tende a não abandonar a prática mesmo quando acharem que nada receberam em troca. O ato vira uma loteria", diz a professora Eliane Gouvêa.

Por Adriana Cocco

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