Estupro: um a cada três brasileiros acha que a culpa é da mulher

A roupa em questão não justifica um ato de violência. Entenda por que os brasileiros ainda culpabilizam a mulher
estupro roupa curta

Nenhum tipo de roupa justifica o assédio e nem estupro.

Nós já falamos aqui no VilaMulher sobre a cultura do estupro e o machismo presente na sociedade brasileira. Porém, uma recente pesquisa Datafolha encomendada pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública) e divulgada nesta quarta-feira (21) revelou que ainda estamos bem longe de conquistar um Brasil mais respeitoso para as mulheres. 


A pesquisa concutiu que  um em cada três brasileiros concorda com a afirmação de que "a mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada". Lamentável!

O levantamento mostrou também que a porcentagem de concordância com a frase é a mesma entre homens e mulheres: 30%. Foram ouvidas 3.625 de pessoas com 16 anos ou mais, e a margem de erro é de dois pontos percentuais.

A percepção de que a mulher que usa "roupas provocativas" é culpada caso sofra um estupro é maior entre pessoas que têm apenas o ensino fundamental (41%), moradores de cidades de até 50 mil habitantes (37%) e pessoas acima dos 60 anos (44%).

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A culpabilização da mulher ainda é gigante no Brasil. Roupa curta não é convite!

Essa convicção tem menos apelo entre os que possuem ensino superior (16%) e têm até 34 anos (23%). Outra frase apresentada aos entrevistados foi “mulheres que se dão ao respeito não são estupradas”, com a qual 37% dos entrevistados concordaram. Nesse caso, o índice foi maior entre os homens (42%) do que entre as mulheres (32%).

A cada 11 minutos uma mulher é violentada no Brasil, apontam dados recolhidos pelo FBSP com as secretarias de segurança pública de todo o país. Elas correspondem a 94% das vítimas de estupro no Brasil, segundo dados do Ipea.

Não é à toa que a pesquisa também revelou que 85% das mulheres têm medo de serem estupradas. O índice sobe a 90% no Nordeste. 

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