Estar apaixonada faz muito, muito bem

Paixão é uma palavra forte, que jamais passa despercebida. No fim de semana fiz uma breve experiência perguntando a amigos o que sentem quando se fala em paixão. As imagens que a palavra trouxe variaram da clássica Paixão de Cristo à paixão do primeiro amor, passando por paixão fulminante, paixão devastadora, paixão deliciosa, perda dos sentidos, perda da razão, entre outras que cabem no mesmo balaio do sentimento que tira a racionalidade.

Mas não penso na paixão, no estar apaixonado como algo que quebre o sentido do ser, e o faça agir de forma descontrolada. Percebo a paixão como uma força vinda do gostar que existe nesse mundo para nos fazer sentir o bem e a graça de sermos humanos, muito humanos. Não imagino paixão entre animais ou plantas - do que li, animais respondem a instintos, que diferem totalmente de um estado inebriante de paixão.

A todos que perguntei, todos já se apaixonaram. Alguns transformaram a energia da paixão em amor, outros viveram a paixão intensamente. E houve quem disse que evita a paixão a todo custo.

Para mim, paixão é fundamental nesta dimensão. Estar apaixonado faz com que possamos ir além nas nossas emoções e traz um tempero delicioso para situações e pessoas. Sem falar no fato que quando nos apaixonamos conseguimos ir além das nossas fronteiras - e como diz a CNN, go beyond borders.

A paixão por alguém pode evoluir para um amor, como me relatou um casal amigo que prova a mim e a eles mesmos que amor existe e pode durar muito, muito tempo - estão juntos por opção há pelo menos quatro décadas. Há também paixões que acabam, duram um verão, e que mal há nisso? No mínimo foi um verão intenso, gostoso, e uma boa lembrança vai ficar deste tempo.

A paixão por um ideal não difere da paixão por alguém. Estar apaixonado por um pensamento, um conceito faz com que possamos ir além buscando ferramentas para implementar a paixão em algo concreto. Lembro de uma amiga que, desde a infância, desejava seguir a carreira da Marinha. O detalhe é que na época nem eu nem ela conhecíamos alguma mulher que tivesse conseguido esta façanha. Ela tinha tudo contra - era asmática, muito magra, família conservadora e amigos que a incentivavam para simplesmente prestar concurso público e casar. Depois de muitos nãos - eu me lembro que ela foi recusava ao menos três vezes - um dia conseguiu ser admitida na marinha. Mudou de cidade, a família ficou em São Paulo completamente descrente. Fez carreira e tem patente, família, alegrias, tristezas e um amor pela Marinha que a fez superar todas as limitações.

Grandes conquistas começaram por uma paixão. Einstein era mediano enquanto estudante, mas se apaixonou pela carreira que seguiu e conquistou conhecimentos que jamais alguém teria intuído. Michelangelo inebriou-se por sua obra, e a fez com todo o detalhe que nos encanta há muitos séculos. Pelé era um apaixonado pela bola e por perfeição, assim treinava incessantemente após o tempo regular e em toda oportunidade que tivesse; ele fazia isso porque gostava, acreditava e sentia um prazer imenso em exercer sua paixão.


A paixão por alguém ou por algo é, no meu entendimento, um ingrediente indispensável para atingirmos objetivos. A paixão traz o sonho para o campo da realização, faz com que consideremos viável algo que pode parecer aos outros impossível. Paixão evolui para amor ou pelo menos fica como lembrança, seja naquela carreira que era sonho de criança, seja naquela pessoa que recebeu o nosso amor tão entregue. Paixão faz a diferença na vida e não precisa ser temida, somente desfrutada com consciência, para que possa se tornar o que faz os nossos dias na dimensão terrena mais interessantes e coloridos. Apaixone-se, por favor.

Suyen Miranda é publicitária e consultora de finanças pessoais, atuando no Brasil, Mercosul, Portugal e Angola. Já foi consumidora compulsiva voraz e tornou-se poupadora e empreendedora, e acredita que toda mulher pode e deve ser autônoma e independente financeiramente. suyen@suyenmiranda.com.br

Comente

Quiz de Celebridades!

Quem é mais jovem?