Escolas estão preparadas para combater bullying?

Escolas estão preparadas para combater bullying

O Senado aprovou um projeto de lei que determina ser responsabilidade da escola evitar episódios de bullying. Para um pesquisador no assunto os educadores e pais devem ser capacitados para lidar com isso.

O projeto de lei aprovado, de autoria do senador Gim Argello (PTB-DF), determina ser responsabilidade da escola evitar episódios de bullying. A matéria segue agora para a Câmara dos Deputados. Caso seja aprovada na Câmara, deverá ser incluída na Lei de Diretrizes e Bases da Educação.

O professor e pesquisador do curso de Psicologia da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Paulo Guerra Soares, que ministra o curso Conhecendo e Combatendo o Bullying, acredita que é necessário investir em campanhas educativas e informativas a fim de capacitar as pessoas. "É preciso uma ação conjunta entre pais e escola, conscientizando as crianças sobre o sofrimento e as conseqüências causadas pelo bullying.", afirmou o professor.

O objetivo do projeto aprovado no Senado é que os estabelecimentos de ensino fiquem incumbidos de inibir situações em que os estudantes fiquem expostos a agressões de colegas. Além disso, o texto aprovado prevê que as escolas devem garantir um ambiente seguro e prevenir o bullying.

O termo bullying é recente, foi criado na última década, mas o comportamento que ele dá nome é muito antigo. Soares afirma que o bullying se caracteriza por disputas de poder em que exista desigualdade, como, por exemplo, um grupo ou um indivíduo mais poderoso cometendo qualquer ato de violência contra um mais fraco de maneira contínua. "O que define bem o bullying são agressões que provocam sofrimento contínuo e duradouro", explicou Soares.

O professor ressalta que as crianças e adolescentes que praticam o bullying não sofrem de distúrbios, são absolutamente normais. "Os jogos de poder, como colocar rótulos e apelidos depreciativos, são fenômenos normais do processo de amadurecimento. O bullying acontece quando essas relações de poder perdem o equilíbrio e começam a provocar sofrimento. O fato é que as crianças muitas vezes não percebem a gravidade do sofrimento que estão causando", apontou Soares.

Segundo ele a família tem um papel muito importante, mas a educação que se dá em casa não impede, obrigatoriamente, o bullying. Às vezes, crianças disciplinadas e obedientes em casa fazem parte de um grupo que pratica bullying na escola", alertou. Soares explicou que é difícil detectar o bullying. As vítimas costumam ser intimidadas e ficam assustadas demais para denunciar as agressões.


Comportamentos freqüentes para detectar vítima de bullyng

O pesquisador ressalta que existem alguns comportamentos freqüentes em vítimas de bullying que podem servir como sinais de alerta: a criança não quer mais ir à escola; o material escolar ou a roupa do estudante aparecem danificados; a criança começa a se sentir mal perto do horário de ir para a escola; ou a criança pede para mudar de escola. "Os pais devem ficar atentos aos sinais e procurar ajuda. Ouvir a criança é a melhor forma de protegê-la", concluiu o professor. E você? Acredita que as escolas e os pais estão preparados para lidar com o problema?

Por Catharina Apolinário

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