Era uma vez…

Não estamos na Idade Média. Não há castelos, não há cavaleiros, nem carruagens. Tudo se passa em uma linda praia. Praia de areia branca e fofa, mar verde e muitos peixes. Ali, o céu é bem azul de dia e muito, muito estrelado à noite. Encantos e feitiços, há aos montes. Príncipes e princesas, também. Todos aprendendo a lidar com hormônios esquisitos que começam a inundar seus cérebros bem confusos.

Há muitas bruxas nesta história. A maior parte delas, as princesas só conhecerão no futuro. Um futuro próximo, talvez. Há a bruxa culpa, a bruxa obsessão, a bruxa não posso engordar, a bruxa não posso envelhecer, a bruxa boicote a sonhos, a bruxa preciso do que na verdade não preciso… e muitas outras, que estão só esperando sua hora para começar a atazanar a vida das lindas princesas.

Nossa princesa favorita - neste reino à beira-mar - tem 14 anos. Todos os anos, ela passa férias nesta praia por tempo suficiente para que seus pés pareçam tudo, menos pés de princesa. E sua pele fique moreninha, moreninha (no tempo dessas princesas, o sol era um grande amigo e ninguém via nenhuma razão para se proteger dele).

Este reino é mesmo um lugar encantado para nossa princesa. E é também seu grande segredo. Foi neste reino que ela descobriu que se sente muito sozinha e que gosta de se sentir assim. Descobriu que dentro dela, existem duas, talvez mais. Descobriu o amor e o prazer. Descobriu a raiva, a aflição e muitos momentos incríveis dos quais se lembrará para sempre.

Quando nossa princesa se senta diante do mar, no final da tarde, não sabe direito o que sente, mas sabe que sente o sentimento mais forte que já sentiu, que faz seus olhos ficarem molhados e enche seu peito da certeza de que, se conseguir se livrar de todas as bruxas que ainda virão, ela vai viver uma vida linda e cheia de aventuras.

Nossa princesa tem uma enorme urgência de viver. Quer crescer logo. Ser uma princesa adulta. Viver todos os amores que imagina que vai viver. E sua imaginação é muito ativa! Mas isso é a cabeça da princesa. Seu corpo está preguiçoso da vida. Não quer crescer não. Quer ser o mais criança de todas as outras princesas do reino. Para a alegria da mãe da princesa. Alegria boba que a princesa só conseguirá entender no futuro, quando também for uma rainha, cuidando de outra princesa.


Foi numa noite - neste reino à beira-mar - que a princesa encontrou uma fada. Ela era muito linda, roxa e brilhante, falava devagar, bem pausadamente. Seu nome era Paciência. Ela disse assim à princesa: "sou sua fada e seu maior desafio. Vou te proteger e também te ameaçar. Muitas vezes lutaremos juntas contra todos os inimigos. Outras vezes, é comigo que você lutará. Brincaremos de esconde-esconde, às vezes rindo, às vezes não. Você achará que sou eu a inimiga, mas é comigo que chegará aos lugares mais maravilhosos e encontrará os tesouros mais preciosos. Começaremos nosso jogo agora". Dizendo isso, a fada desapareceu. Nossa princesa começou a chamá-la, chamá-la até gritar… Ficou furiosa e saiu chorando e batendo o pé. Ainda levaria algum tempo para saber que jogo era aquele e porque era preciso jogá-lo…

Denise Gallo é sócia da Uma a Uma, empresa de inteligência de mercado especializada em comportamento feminino. Contato: umaauma@umaauma.com.br

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