Documentário revela face pouco conhecida das mulheres africanas

Documentário revela face pouco conhecida das mulhe

Foto: Divulgação

Ao contrário do que pode imaginar o senso comum, existe um perfil de mulheres africanas que fogem totalmente do estereótipo de miseráveis e submissas. Atualmente há um grupo importante de agentes de transformação no continente. E muitas delas e suas histórias você conhece no documentário "Mulheres Africanas - A Rede Invisível". Produzido pela Cinevideo e dirigido por Carlos Nascimbeni.

Segundo Mônica Monteiro, produtora executiva do documentário e presidente da Cinevideo, a ideia surgiu de seu interesse pessoal pela África. "Sou uma apaixonada. Como a Cinevideo possui escritório em Moçambique desde 2009, costumo ir para lá quase todo mês. Viver aquele continente é uma experiência única e totalmente diferente do que imaginamos. Queria mostrar a força daquele povo, o desenvolvimento econômico e, principalmente, a perseverança das mulheres que estão mudando aquele território", detalha.

Para isso, foram escolhidas mulheres representativas, que fossem reconhecidas em suas respectivas áreas e que projetassem a África internacionalmente. Considerando esses aspectos, optou-se por Graça Machel, política e ativista (esposa de Nelson Mandela); Leymah Gbowee, vencedora do Prêmio Nobel da Paz; Mama Sara Massari, empresária; Luísa Diogo, ex-Primeira Ministra de Moçambique, e Nadine Gordiner, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura, para serem as cinco personagens principais do documentário. "Trata-se de exemplos não só para o continente africano, mas para todo o mundo", ressalta Mônica.

No entanto, ela enfatiza que a escolha das cinco não minimiza o papel das "mulheres comuns". "Elas também lutam diariamente, porém, as personagens do documentário conseguiram projetar suas batalhas para além de seus cotidianos, transformando-as em ideais, objetivos e exemplos. Assim, exteriorizaram os seus conflitos, tornando-os lutas coletivas para a evolução de todo um continente", completa a produtora executiva do documentário.

De acordo com ela, as gravações foram surpreendentes. "Cada lugar, cada momento e cada pessoa com que conversávamos despertava na equipe um encantamento por aquele lugar", conta Mônica, que ainda afirma que os depoimentos das cinco mulheres foram muito significativos. "Foi marcante ouvir a Leymah contando detalhes da guerra da Libéria e retratando como conseguiu a paz naquele lugar que mais parecia o inferno", exemplifica.

Realmente, Leymah foi essencial para o fim da guerra em seu país. Trabalhando com crianças usadas como meninos-soldados, ela disse que "se qualquer mudança tivesse que acontecer na sociedade, isso teria que ser feito pelas mães". Com a Frente de Libertação de Moçambique, Graça lutou clandestinamente durante a Luta Armada de Libertação Nacional contra as Forças Armadas de Portugal pela independência de seu país. São exemplos de duas grandes guerreiras, dentre as cinco que participam do documentário.


Mônica diz que o objetivo desse trabalho é mostrar um continente sem estereótipos e a atuação da mulher nessa nova África que surge, surpreendendo o público com um continente diferente daquele visto nos telejornais. "É um dos continentes que mais cresce e a mulher tem um papel fundamental nessa evolução. O depoimento das cinco personagens são inspiradores e abrem os olhos para uma África, que, apesar de suas tradições, guerras e dificuldades, vem se desenvolvendo para ser uma das grandes potências do mundo", finaliza.

Por Fernanda Oliveira (MBPress)

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