Trouxe o “Não” comigo

Por meio de doces vinganças, mulheres se impõem contra assédio
doces vinganças

foto: reprodução/Youtube

Não é de hoje que a publicidade brasileira comete alguns deslizes, mas dessa vez duas marcas receberam uma repercussão totalmente negativa. Primeiro foi uma ação da Skol, com mensagens como "Esqueci o 'não' em casa" e "Topo antes de saber a pergunta" em referência ao Carnaval. Elas, no entanto, foram consideradas ofensivas por induzirem a perda de controle e o assédio. Em meio à polêmica, a campanha foi retirada de veiculação.

A segunda a ser muito criticada foi a marca de sopas Vono, com anúncios considerados sexistas, por ilustrar as mulheres como seres indecisos e fúteis. Uma delas, divulgada nas suas redes sociais, traz a mensagem: “Da série: coisas de mulher! Ela pergunta, ela responde e ainda fica brava”. Nos comentários, vários internautas criticaram a postura da empresa e ameaçaram boicotar o produto.


Até quando marcas e agências de publicidade vão ignorar a luta feminina e compartilhar mensagens que possam induzir ao assédio contra a mulher? 

Em contrapartida a todo machismo presente, muitas mulheres vêm se emponderando cada vez mais e sabendo se defender de forma bem inteligente. É o caso da gamer australiana Alanah Pearce, que cansada das ameaças de estupro no seu canal no Youtube, entrou em contato com a mãe dos agressores. Isso mesmo! Alanah decidiu mostrar algumas ameaças para a mãe destes garotos, o que não deixa de ser uma boa vingança, já que um dos maiores medos de quando se é adolescente é ser constrangido pela mãe na frente dos colegas.

Outra atitude curiosa foi de uma usuária no Twitter, que ao perceber um homem filmando o seu traseiro, falou: “Me empresta seu celular para eu anotar o número do meu” e então arremessou o celular dele pela janela do ônibus.

doces vinganças

foto: reprodução/Twitter

Toda mulher tem o direito de dizer sim para o que quiser, e se permitir ser feliz do jeito que bem entende. O que é diferente de aceitar qualquer coisa, contra a própria vontade. Nenhuma mulher é obrigada a dizer sim, muito pelo contrário; mulher tem o direito de dizer “não”. Não para o estupro, não para a violência contra a mulher, não para o abuso, não para a ofensa, não para a discriminação. Não só dizer como também impor o seu “não”, onde estiver.

Jessica Moraes

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