Do que sentiremos falta no Orkut?

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Recentemente, a Google anunciou que o Orkut vai sair do ar, dia 30 de setembro. Podemos ouvir ao fundo um grito triste pelo fim da rede social, que nem chegou comemorar 10 anos de existência na internet. E se alguns pensavam que ele estava "morto", outros sentirão saudades; 59 mil brasileiros já assinaram um petição online para que o site não fique fora do ar.

Drama ou não, saudosismo ou exagero, a rede social criada pelo engenheiro de tecnologia turco Orkut Büyükkökten teve seus tempos áureos e ganhou espaço entre os hábitos dos brasileiros. "Penso que o Facebook não seria tão grande hoje sem o Orkut. Foi nele que desenvolvemos o costume de nos comunicar e relacionar por meio de uma rede social", conta a educadora de arte Flávia Gonzales (27).

Para Flávia, apesar de não acessar mais sua conta, o Orkut vai deixar saudades. Muitos hábitos na rede social não podem ser feitos nas demais redes, como criar comunidades, deixar depoimentos, scraps e outras coisitas mais. A lembrança maior fica por conta das comunidades: "Era comum a gente entrar em uma comunidade só porque ela era engraçada. Das várias que existiam a que me marcou mais foi a 'Saí do hospício porque já estava bom', com uma foto totalmente oposta", relembra.

Já a personal trainer Daia Magalhães (26) diz que o Orkut, se acabar, vai deixar saudades porque foi a primeira rede social em expansão no Brasil. "Eu não vejo muita diferença ou sinto saudades da outra rede. Para mim elas são bem parecidas", comenta. Na época de ouro, em 2008, o Orkut tinha registrado aproximadamente 40 milhões de cadastros brasileiros. Em 2014, o índice caiu para 6 milhões de usuários (mas nem todos ativos, porque muita gente para de usar a rede, mas não desativa a conta).

A rede social social também abrigou outros recursos como acoplar o Gtalk (bate-papo) e criar

bonecos virtuais, etc. Mas foram as comunidades que deram a fama ao Orkut. A princípio, a função foi criada para unir por meio online um número de pessoas em prol de um assunto em comum - lugares, bandas, gostos, etc. Dentro desta página havia a possibilidade de se comunicar com outros membros por meio de um fórum. Haviam tópicos fixos, com assuntos em comum, e aqueles passageiros. Muitas pessoas trocaram experiência e se conheceram por meio desta comunicação.

O humor foi o critério principal para criar diferentes comunidades. No Brasil, a comunidade com mais membros (4 milhões) era a "Eu Amo Minha Mãe". Tinham as clássicas também: "Eu Nunca Morri na Minha Vida", "Queria Sorvete, Mas Era Feijão", "Se Eu Morrer, Minha Mãe Me Mata", "Só Esqueço Quando Me Lembro", "Goku Super Saia Jeans", "Um Mamão Vai Na Cabeça", entre outras.

A jornalista Thaís Macena (23) relembra também os hábitos estranhos no Orkut: "Deixar mensagens aleatórias para as pessoas. Hoje se você quer dar um recado, você não deixa no mural da pessoa, você manda mensagem por celular ou via Facebook". Outros hábitos eram o de tornar os depoimentos um bate-papo - quem não se lembra da frase enfática "não aceita"?! -, ler os recados e apagar, dentre outros.

E você, do que vai sentir mais falta no Orkut?


Por Caroline Sarmento

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