Destino Dardo! Viagem como hobby

Destino Dardo Viagem como hobby

Gustavo Kenji Missumi. Foto: arquivo pessoal

Já pensou em fechar o olho, colocar o dedo num mapa e seguir, sem medo, para o lugar apontado? A ideia que parece loucura virou o hobby preferido de um paulistano da cidade grande. Gustavo Kenji Missumi trocou o dedo pelo dardo e, ao invés do mapa- mundi, preferiu o do Estado de São Paulo. E, se tivesse um passaporte para viajar pelo Brasil, já teria mais de 10 carimbos.

Tudo começou com o prazer que sempre teve em viajar, quando era músico profissional. Quando a carreira nos palcos acabou, as viagens também diminuíram e Gustavo sentiu falta da estrada. Esse ano, em março, colocou a mochila nas costas pela primeira vez novamente, sem muito planejamento. "Quando parei, já estava a uns 300 quilômetros de São Paulo em uma cidade que nem sabia o nome", lembra.

No total, já jogou o dardo por 10 cidades, mas acaba sempre conhecendo as localidades vizinhas. Sempre vai aos finais de semana, numa versão de viagem que chama de "beta", já que está aprendendo a cada trip. "No começo eu estava meio inseguro do que estava fazendo. Hoje é um vício. Se não viajo começo a ter problemas por aqui", brinca.

Aqui, que ele cita, é a vida real, como designer gráfico. Diz que acompanha o Twitter, lê notícias pelo celular o dia todo, perde de ver o céu azul por conta do trabalho pesado e já derrubou café no teclado uma infinidade de vezes. É da cidade grande, mas se perde pelo interior com muito prazer, obrigado. "Tudo porque gosto mesmo, sem intenção maior".

Gustavo viaja de carro, porque o tempo que tem é curto e, se esperasse uma boa carona, certamente perderia o emprego. Nem sempre vai sozinho, já levou amigos, mas normalmente curte a solidão. Para escolher o destino, pega um dardo, dá cinco passos para trás do mapa pendurado na parede e, garante, nunca trapaceou. Pega as coisas e vai exatamente onde o dardo indicou. "A dificuldade no início foi driblar a premeditação, achar que tudo seria de um jeito que imaginava. Isso travava e dificultava bastante as viagens. Hoje, deixo acontecer. É muito mais fácil e tem ‘dardo’ certo".

No meio das viagens, já ficou numa casa de um senhor de 85 anos que dormiu bem cedo e trancou a casa. Gustavo não podia sair e ainda escutou, a noite toda, barulhos bem assustadores. "Nunca um amanhecer foi tão aliviante em minha vida", lembra. Outra vez descobriu apenas quando chegou em determinada cidade que nela havia apenas três presídios e três unidades da Febem. "Quem estava pela cidade eram apenas os funcionários das instituições".

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Gustavo paga as despesas das viagens sozinho. Tenta ficar em hotéis baratos ou se hospedar na casa de quem oferecer. "Às vezes a cidade é tão pequena que um ou dois turistas por fim de semana fazem impacto positivo na economia/negócio/restaurante do local", conta. E para garantir o dinheiro da viagem, a dica de Gustavo é economizar mesmo. "Deixe o carro em casa e vá trabalhar de ônibus, corte o custo de estacionamento e combustível. Deixe de ir naquelas baladas caras que só servem para ficar bêbado pelo menos uma vez ao mês. Abra mão dos seus maiores gastos semanais e, no final do mês, vai sobrar um dinheirinho que já dá para viajar, é um bom investimento de vida", sugere.


Por enquanto, as viagens continuam apenas no estado de São Paulo mesmo. Mas Gustavo quer conhecer o Brasil e, quem sabe, no futuro, jogar seu dardo no mapa-mundi. Falta de torcida não falta. No blog que mantém e conta as histórias das viagens, os leitores dão a maior força, apóiam, comentam, tiram duvidas. E viajam um pouco com ele. "Eu acho que as pessoas têm que sair por aí para ver o céu e novos horizontes. Todo mundo quer isso. E, apesar de as pessoas desconfiarem, todas querem fazer o que ‘der na telha’ e apertar o botão do ‘dane-se’. Isso, acredito, interfere bastante na leitura das histórias".

Por Sabrina Passos (MBPress)

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