Dançaterapia - bem estar em movimento

Dançaterapia  bem estar em movimento

Foto Arquivo Pessoal - Miriam Namiki Louverro

A dança não é só capaz de trazer flexibilidade, condicionamento aeróbico ou coordenação motora, os movimentos do corpo não coreografados são usados por fisioterapeutas e outros profissionais no tratamento de doenças e transtornos. É através da dançaterapia que muita gente consegue trabalhar partes do corpo até então deixadas de lado. Ela permite trazer à tona, através dos movimentos mesmo pequenos e simples, aquilo que às vezes fica escondido dentro de cada um. Trata-se de uma forma de se expressar melhor, além de buscar a criatividade e a consciência corporal.

"O corpo precisa de movimento, este é responsável por estimular energia e, conseqüentemente, força. E nós necessitamos desses estímulos, mas muitas vezes eles devem ser espontâneos", explia Miriam Namiki Louverro, coordenadora do Centro Brasileiro de Dançaterapia.

Segundo a coordenadora, na dançaterapia os movimentos, repetitivos ou não, podem trabalhar todas as regiões do corpo, e tem como objetivo promover a integração física e mental. Dessa maneira, os limites de cada praticante é respeitado - ele pode apenas mexer as pontas dos dedos, por exemplo. "Quem nunca dançou pode perfeitamente participar, pois não são usados movimentos próprios de algum tipo de dança. Tudo é embalado por uma música, uma ópera por exemplo. E cada um vai interpretar aquele som à sua maneira, através dos movimentos. O intuito é resgatar os estímulos mais primitivos, da sua memória corporal", detalha Miriam.

Geralmente quem se interessa em aplicar a dançaterapia são fisioterapeutas, bailarinos ou pessoas envolvidas na área da educação. Mas antes de utilizá-la, todos necessitam fazer um curso específico em Dança Movimento Terapia (DMT), em que aprendem noções de psicologia, musicoterapia, cinesiologia e outras disciplinas.

"Este tipo de terapia é usada em pessoas de várias idade e com problemas diversos, até portadores de necessidades especiais". Sua função é complementar em distúrbios de ansiedade, estresse, fibromialgia ou mesmo mal de Parkinson. "Neste caso, como há uma falta de sincronia, a terapia tem a função de justamente resgatar isso. O paciente faz da maneira como quiser, sentado, em pé, pois os seus limites sempre são respeitados".

Até em tratamentos de câncer, a DMT também pode ser empregada. Neste caso, o dançaterapeuta vai até hospitais e pode criar estímulos ao corpo não só através dos movimentos, mas também com massagens. O profissional também atua em casas de repouso, academias femininas ou espaços de dança. Entre a terceira idade, a função do tratamento é aprimorar funções físicas e cognitivas. Segundo a coordenadora, cada profissional adapta o espaço, o repertório - seja como bailarino ou fisioterapeuta -, além das ferramentas, tudo conforme a proposta do tratamento.

"Ele pode usar bolas coloridas, fitas e outros estímulos visuais. Mas se o lugar escolhido é pequeno, o dançaterapeuta emprega apenas a musicoterapia, por exemplo. As aulas podem ser em grupo e muitas vezes usamos brincadeiras para que a criatividade seja estimulada". Os primeiros resultados geralmente aparecem após dois meses, mas a evolução depende muito de cada um. Entretanto, a tendência é que ele cresça durante a prática, segundo Miriam.


Mais do que os benefícios físicos, muitos praticantes também resgatam a autoconfiança e criam laços de amizade nas aulas em grupo, principalmente no caso dos idosos. Movimentos que trazem liberdade e qualidade de vida.

Por Juliana Lopes

Comente

Assuntos relacionados: ansiedade