Danças circulares e bem-estar

Danças circulares e bemestar

Quem é que nunca arriscou cantar a música preferida debaixo do chuveiro? Quem nunca dançou de alegria quando conseguiu algo que desejava muito? Pois é, atividades relacionadas aos sons mexem mesmo com as emoções das pessoas.

Baseando-se em elementos culturais de vários povos e nesse gosto humano pela dança, surgiram grupos de "Danças Circulares". "Elas são atividades realizadas em círculo, onde as pessoas, de mãos dadas, fazem passos simples, ensinados por um focalizador, baseados em danças de povos de diferentes culturas, utilizando músicas de vários países", define Sandra Mazzoni, uma das responsáveis pelo crescimento das chamadas "rodas" no Rio de Janeiro.

Esse conceito nasceu em 1976, quando o bailarino clássico, pedagogo coreógrafo e pintor Bernhard Wosien iniciou o movimento das rodas de danças circulares na Escócia. Wosien havia percorrido o mundo recolhendo várias danças de povos diferentes.

As rodas foram e são abertas ao público e qualquer indivíduo pode dançar nelas. "As pessoas não precisam ter experiência em danças para participar. Algumas são gratuitas e outras pedem uma pequena contribuição para pagamento do espaço onde são realizadas", conta Sandra.

Além dela, mais duas colegas, Ana Lúcia Pó e Gabriela Bessa Barreto, promovem as rodas na cidade maravilhosa. Quem faz parte do movimento garante que as danças proporcionam reflexão. "As Danças Circulares foram chamadas Sagradas porque permitem um ‘centramento’, um encontro de cada pessoa consigo mesma", fala Louise Bonitz, frequentadora assídua das rodas.

Apesar do discurso, a prática não está vinculada a nenhuma religião em especial. A ideia é de que sejam apenas pessoas que se reúnem tentando desenvolver mais integração entre si e aprofundar o conhecimento interior.

Essa pode ser uma forma de alívio para a ansiedade ou até mesmo a depressão. "Dançando, não importando se a dança seja lenta ou rápida, entramos em meditação que é experimentar o aqui e agora. A ansiedade está ligada ao futuro e a depressão ao passado. A vivência com as Danças nos mostra outro lugar, o único que pode ser vivido, o presente", explica Sandra.

Para ela, os movimentos da dança também podem ter relação com a melhora de doenças. "Na medida em que nos movimentamos em um determinado ritmo, todos os nossos ritmos internos (coração, circulação, respiração) se modificam, e isso promove mudanças no fluxo dos pensamentos e nas emoções", afirma.


Desenvolver uma atividade prazerosa ao lado de outras pessoas, ainda que sejam estranhos, pode ser a razão do bem estar promovido pelas danças, e da sua continuidade através de décadas. Para conhecer melhor esse trabalho, basta acessar: www.dancascircularesrj.com.br.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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