Cultura do estupro: casos para nunca esquecer!

67% dos casos de violência contra as mulheres são cometidos por parentes ou conhecidos das vítimas
Cultura do estupro: casos para nunca esquecer!

Foto - Reprodução

O caso recente de estupro coletivo ocorrido no Rio de Janeiro, envolvendo uma garota de 16 anos, que foi violentada por mais de 30 homens, deixou o Brasil em choque. Nas redes sociais, mulheres, homens, ativistas e artistas pedem penalizações mais graves para quem comete esse tipo de abuso contra a mulher. No caso da adolescente carioca, além da violência sexual, ainda ocorreu a exposição de fotos e vídeos da garota nua e dopada, sobre uma cama, sangrando, enquanto os homens riam e debochavam da situação. 


Outro caso de estupro coletivo causou comoção no Brasil neste mês de maio: uma mulher foi abusada por cinco homens, em Bom Jesus, no Piauí. Em ambas as situações, as mulheres foram vítimas da chamada cultura do estupro. Apesar de todas as conquistas femininas dos últimos tempos, as mulheres ainda não conseguem se proteger de atos de agressividade por parte dos homens, que, em suas atitudes machistas, se sentem no direito de forçar relações sexuais sem consentimento.

Só no Brasil, cerca de 500 mil mulheres são estupradas anualmente. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontam que 67% dos casos de violência contra as mulheres são cometidos por parentes ou conhecidos das vítimas; crianças e adolescentes formam 70% das vítimas de estupro e apenas 10% dos estupros são notificados.

Os casos de estupro coletivo ocorridos no exterior são igualmente chocantes, com índices de punição aos agressores ainda menores que no Brasil. Na Índia, por exemplo, o estupro é visto como uma forma de “castigo” à mulher e isso faz com que os agressores nunca sejam julgados e presos. Em 2014, uma mulher de apenas 20 anos sofreu estupro coletivo em Bengala, na parte leste do país. A violência foi “justificada” pelo fato de a vítima manter um romance com um homem de uma aldeia rival.

Em 2012, ainda na Índia, outro crime brutal envolvendo uma mulher gerou grande revolta: uma estudante de Medicina de 23 anos faleceu após sofrer estupro coletivo dentro de um ônibus, enquanto ia para a faculdade. Motivo: as mulheres indianas não podem sair de casa após às 21 horas. Por um motivo torpe, os agressores se sentiram no “direito” de dar uma “lição” na estudante.

No Brasil, a Delegacia da Mulher é o principal ponto de proteção às vítimas de violência, seja sexual ou doméstica. Mas para que a leis possam ser aplicadas (Lei 12.015/2009), é preciso que haja denúncia. Mas é essencial também que cada vez mais as mulheres se conscientizem dos seus direitos; que elas saibam que não devem aceitar uma situação de agressão e de  humilhação. É primordial que os homens entendam, igualmente, que respeito é bom e a gente gosta!

Por Renata Branco   

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