Consumo consciente de sacolinhas plásticas

Consumo consciente de sacolinhas plásticas

Com a ideia de preservação do planeta e a moda da reciclagem, certos materiais passaram a ser vistos como verdadeiros vilões para o planeta. O problema é que muitos deles são importantes para a sociedade em geral e, de certa forma, já fazem parte de nosso cotidiano, como o plástico.

Um dos itens mais atacados são as sacolinhas de supermercado. No entanto, não houve redução da utilização delas por um bom tempo. Isso já era de se esperar. Uma pesquisa do Ibope revelou que 71% das donas de casa brasileiras consideram essas sacolas ideais para transportar suas compras. E quase 100% delas reutilizam as embalagens como sacos de lixo.

Observando esses dados, o Instituto Nacional do Plástico (INP), o Plastivida Instituto Sócio Ambiental dos Plásticos e a Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (ABIEF) desenvolveram o Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas em 2007.

"O fato de a sacolinha não ser degradada rapidamente é uma virtude. Ela pode ter uma vida longa e muito útil para o ser humano quando usada e descartada corretamente", afirma Paulo Dacolina, diretor Superintendente do INP. Para o executivo, o problema não é o consumo desses itens, e sim a forma como ele é realizado. De acordo com pesquisas realizadas antes do início do Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas, dentre as pessoas que embalavam as compras em supermercados, 13% usavam sacolas no mínimo em duplicidade e outros 60% não aproveitavam todo o espaço disponível nas embalagens.

Tudo porque, como observaram os organizadores do programa, as sacolinhas não eram resistentes o suficiente para que os consumidores confiassem carregar muitos produtos ali. A coisa seria bem diferente se as embalagens fossem produzidas de acordo com a norma ABNT 14937. Então, a saída encontrada pelo INP, Plastivida e a ABIEF foi provar para os donos de supermercados que a sacolinha mais resistente, apesar de mais cara, valia a pena e até diminuiria o consumo de sacolas após algum tempo. Deu certo, e hoje quatro das seis maiores redes de supermercado do ranking da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) - Pão de Açúcar, Zaffari, Prezunic e GBarbosa - aderiram ao programa, além de redes menores em todo o Brasil.

Aliás, a própria Abras, associações estaduais dos supermercados e das Federações das Indústrias de vários estados também apoiam a ideia. Segundo Paulo, o desafio maior é incentivar o consumo consciente dos clientes finais do comércio. Para tanto, cerca de 4500 funcionários que trabalham nos caixas de alguma forma já foram treinados para orientar as pessoas a usar a sacola do jeito certo: sem duplicidade e cheia até o final, com todo o peso que ela suporta.

É fácil identificar as embalagens mais resistentes: um selo de qualidade foi criado, o NP-ABIEF. Nas sacolas também existe a identificação do peso que suportam. No geral, elas aguentam seis quilos, ou seja, três garrafas pet de uma vez, e sem rasgar.

A iniciativa é bem sucedida. Tanto que o consumo das sacolinhas foi caindo desde a criação do programa. Em 2007, era de 17,9 bilhões. Em 2008, passou para 16,4 bilhões e, em 2009, para 15 bilhões. A projeção é reduzir em mais um bilhão em 2010, ou seja, uma redução acumulada de 3,9 bilhões de sacolas plásticas.

Dessa forma, com menos consumo, temos menos desperdício e degradação do meio ambiente. A dica é, depois de carregar as compras, usar as sacolinhas como sacos de lixo, para carregar alimentos, roupas, sapatos, enfim, arrumar outra utilidade para elas. E, quando estiverem mesmo sobrando, o melhor é mandar para a reciclagem.


É difícil mudar nossos hábitos, pois a sociedade em que vivemos é extremamente consumista. Mas evitar uso desnecessário já é um passo para preservarmos nosso planeta. Que tal investir nessa ideia?

Por Priscilla Nery (MBPress)

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