Conheça o criador do maior banco eletrônico de pessoas desaparecidas

Conheça o criador do maior banco eletrônico de pes

O ex-goleiro do Flamengo Bruno, acusado no envolvimento da morte de Eliza Samudio, foi criado pela avó paterna Estela Santana Trigueiro de Souza na periferia de Belo Horizonte após ser abandonado pela mãe com três dias de vida. Somente em 2006 a encontrou graças a uma extensa investigação que contou com a ajuda do site "Desapareceu"

Graças ao banco público Cleonice da Cunha realizou o seu grande sonho. Ela passou parte da sua vida sem conhecer o pai Eurides Pereira da Silva. Ela vivia em Nova Jersey, Estados Unidos, ele em Rio Grande da Serra, região metropolitana de São Paulo. O reencontro aconteceu em 2005 e foi parar na imprensa, inclusive no Jornal Nacional.

"O site é uma ferramenta que ajuda a cruzar os dados entre as pessoas. No início, há sete anos, a intenção era apenas de encontrar amigos distantes na mesma cidade ou com algo em comum, semelhante ao Orkut, mas depois tomou outras proporções", explica.

E se tornou o maior cadastro eletrônico de desaparecidos do país, com mais de 26 mil pessoas. A ferramenta, ou melhor, o banco de dados público e gratuito funciona de forma simples: basta colocar a foto e as características físicas da pessoa desaparecida. Caso alguém tenha uma pista é preciso somente mandar um e-mail para quem fez o cadastro. "Muita gente chega até o site por curiosidade e acaba enviando uma pista importante", conta. As informações são mantidas em sigilo e restritas para quem está à procura de alguém. "No início, quando os dados eram abertos, muitos detetives encontravam as pessoas e ligavam cobrando pelo serviço", conta. Por este motivo, o professor teve que mudar o sistema.

Hoje em dia, Styliano aproveita uma ferramenta via Google, de busca de palavras-chaves, que funciona da seguinte maneira: ao digitar o nome da pessoa desaparecida é possível ver a foto dela no portal e o link para o mesmo. "Assim os dados se cruzam. Familiares e amigos que estão procurando a mesma pessoa se encontram e juntos vão atrás do que estão desaparecidos", explica o professor que tem uma média de duas mil pessoas localizadas através do site, entretanto não é um dado exato, pois muitas se esquecem de desativar o cadastro e não comunicam o reencontro.

No início do projeto, Mandis acompanhou mais de perto a saga de mães à procura de seus filhos e muitas famílias em busca de um final feliz. Agora ele tem a ajuda de voluntários e precisa dar conta dos vários e-mails de pessoas à procura de um contato. Trabalha em casa e divide seu tempo entre os 34 sites - são dez sociais e outros 24 comerciais, que rendem pouco mais de R$ 2 mil por mês. "O trabalho dos comerciais me ajuda a pagar as despesas daqueles com domínio .org.", diz.

O professor gasta apenas R$ 75 por mês para manter o "desapareceu" e questiona a falta de incentivos por parte dos órgãos públicos e privados diante da questão. "O assunto só ganha destaque quando aparece alguma história na imprensa e as pessoas se sensibilizam. Isso deve ser algo permanente. Nos Estados Unidos, por exemplo, fotos de desaparecidos ficam nas caixas de leite, bastam ideias simples sejam executadas", protesta. Mandis envia banners com fotos de pessoas desaparecidas para outros sites, inclusive o da Polícia Militar da Bahia já divulgou alguns deles.


Desde o início do projeto, Mandis e seus voluntários são uma espécie de detetives que rastreiam tudo pela internet, para fazer o bem, claro. E através da rede conseguem unir os laços daqueles que o destino insistiu em desatar.

Por Juliana Lopes

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