Como descartar corretamente óleo de cozinha?

Como descartar corretamente óleo de cozinha

Nem todo mundo sabe - ou muita gente esquece que sabe - mas a gordura despejada na pia é quase tão prejudicial quanto jogar lixo na rua. O tratamento de água e esgoto fica prejudicado e, se as caixas de gordura não forem higienizadas corretamente, o fluxo pode voltar à residência e causar um problemão. Então, separar o lixo ou descartar corretamente restos de comida não é suficiente para dormir com a cabeça tranquila. É preciso também cuidado intenso no trato da gordura e dos óleos.

Segundo calcula a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), uma família gera pelo menos 1,5 litro de óleo de cozinha por mês. E só para se ter noção do problema, 1 litro apenas já é responsável pela poluição de 1 milhão de litros de água. A dificuldade está no fato de que óleo e gordura são insolúveis, ou seja, não se dissolvem na água.

Então, se despejados na pia inadequadamente, podem levantar riscos graves ao meio ambiente além de entupimento de tubulações e das galerias de esgoto, causando rompimentos nas redes de coleta. O professor universitário Marçal Rogério Rizzo, doutorando em Geografia, alerta que muitas pessoas não sabem mesmo dos males que causam ao destinar óleos e gorduras de maneira inadequada porque eles são imperceptíveis. "Se despejados no solo, por exemplo, podem impermeabilizá-lo e, assim, ser mais um agente em potencial para o agravamento das enchentes, além de dificultar o surgimento de vida neste local", explica o professor. "Local onde se joga óleo de cozinha não nasce nem erva daninha. O óleo, quando entra no processo de decomposição, libera gás metano e causa mau cheiro, agravando ainda mais o problema do aquecimento global".

A recomendação da Sabesp e dos especialistas no assunto é, então, que o óleo doméstico não seja jogado nos ralos e vasos sanitários dos imóveis, mesmo que as estações de tratamento estejam preparadas para recebê-los. Mas Marçal lembra bem que, no Brasil, a maioria dos municípios ainda não conta com esse tratamento de esgoto. "E, dessa maneira, o óleo vai direto para a superfície dos rios e contamina a fauna e flora aquática".

A Sabesp sugere a instalação de caixas retentoras de gordura nas residências e nos estabelecimentos comerciais como restaurantes, lanchonetes e padarias. A existência de caixa de retenção, aliás, é uma exigência para a instalação da primeira ligação de esgoto para muitas empresas de comércio e serviço. Mas mesmo com as caixas, o melhor jeito de armazenar óleos e gorduras usados é mesmo em garrafas pet. "Além de não descartarmos o óleo também não se descarta a própria embalagem pet, que é outro problema", ressalta Marçal, que é Especialista em Gestão e Manejo Ambiental na Agroindústria.

Mas nada de jogar essa garrafa no lixo comum. "A destinação correta é a reciclagem". E não é apenas o óleo usado em frituras que deve ter o descarte correto. A gordura das carnes - aquela que sobra no fundo das assadeiras, por exemplo - também entra na lista. Assim como a gordura comum, ela deve ser recolhida e encaminhada para postos de coleta e depois à reciclagem.


"Muitos supermercados, ONGs e até mesmo empresas de saneamento básico vem realizando campanhas de recolhimento desse produto. Hoje óleo de cozinha não é mais problema. Ele é matéria prima para o biodiesel ou sabão", finaliza Marçal. Então, lembre: evitar o lançamento de óleo em fontes de água, na rede de esgoto ou no solo, além de saudável, mostra consciência ambiental.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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