Caso Jayminho: uma reflexão sobre a consciência negra

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foto/divulgação: Rede Globo

Na novela "Amor à Vida", o autor Walcyr Carrasco pediu à equipe que cortasse o cabelo ‘black power’ do menino Jayminho, filho adotivo de Eron e Niko. Segundo o autor, o menino precisa passar por mudanças, pois quando uma criança é adotada ganha roupas novas e brinquedos. "Só pedi para mudar o visual de Jayminho porque ele foi adotado por alguém de dinheiro", afirmou Walcyr.

A atitude de Carrasco gerou diversas críticas acusando-o de preconceito. Isso dá a entender a muitas pessoas que o autor acredita que, um menino negro, mesmo adotado, não pode manter o cabelo "black" porque isso é símbolo de pobreza e de rejeição.

No mês da Consciência Negra cabe a nós refletirmos sobre todo o tipo de humilhação e opressão que a população negra viveu ao longo desses cinco séculos de brasilidade.

A política de cotas nas universidades, nos concursos públicos e outras iniciativas, são um meio longe de ser o ideal para pagar a nossa dívida social. Então, da parte de cada cidadão, o mínimo a ser feito - além da própria conscientização pessoal - é lutar contra o racismo diariamente, pois ele representa pensamentos e atitudes enraizadas, da qual encaramos muitas vezes com naturalidade, o que é um grande equívoco.


Se acharmos que não é "nada demais" aparar as características físicas um menino negro como os seus cabelos, simplesmente pelo fato de que não é comum e geralmente é mal visto pela sociedade, cada vez mais distantes estaremos dessa conscientização, onde ganha terreno mais a preocupação com a aparência física do que a liberdade individual de cada pessoa em querer ser como quiser, independente de classe social.

Por Jessica Moraes

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