Casar ainda é o maior desejo das brasileiras

Casamento

Desvendar o universo feminino e seus movimentos nas áreas do comportamento. Com esse objetivo, o IBOPE Inteligência desenvolveu um estudo que traça o perfil das mulheres brasileiras das classes AA, AB e C, no que diz respeito à família, trabalho e necessidades pessoais.

A pesquisa mostra mudanças relevantes nas atitudes e nos valores das mulheres, como a mudança das mulheres de classe social C que vêm se aproximando cada vez mais do perfil da mulher AB. Elas estão mais independentes, mais conscientes, buscam realização pessoal, não mais só através dos filhos e da família, e estão orientadas para o atendimento de suas necessidades pessoais.

Já as mulheres de classe AA são menos conservadoras e mais críticas, diferenciando-se das demais e também dos homens. Algumas coisas não mudaram como, por exemplo quando o assunto é casamento. Em todas as classes o desejo de casar é marcante.

A pesquisa revela também que o trabalho tem significados diferentes para cada grupo. Para a classe AA, o trabalho significa desenvolvimento intelectual e pessoal, realização e destaque como profissional. Já para a classe AB, o significado abrange desenvolvimento pessoal, e para as de classe C ajuda na renda familiar. O desejo pela independência, porém, é fator comum para todas as mulheres.

Para explicar os resultados e dar detalhes sobre o estudo, o Vila Mulher conversou com Nelsom Marangoni, CEO do IBOPE Inteligência um dos responsáveis pela pesquisa:

O estudo mostrou que as mulheres estão mais preocupadas com o presente e buscam cada vez mais liberdade e autonomia. Isso tem relação com a conquista de espaço no mercado de trabalho?

O focar mais o presente do que o futuro e a busca por maior autonomia e liberdade estão relacionados com qualidade de vida. Claro que a conquista de espaço no mercado de trabalho é relevante, pois através dele pode-se obter, num primeiro estágio, independência financeira e, posteriormente a “independência psicológica”.

Por que as mulheres se mostraram mais seguras? Isso tem a ver com a maior possibilidade de independência financeira feminina?

As mulheres estão mais seguras em função da própria evolução do sexo feminino, maior inserção no mercado de trabalho, melhor preparo educacional e também porque melhorando a renda média familiar e tendo maior acesso ao crédito (principalmente classe C) elas passaram a atender melhor suas necessidades pessoais e familiares. Também estão lidam melhor com as pressões sociais.

Quais os fatores fizeram com que as mulheres classe C estejam se aproximando das classe AB?

Em muitos aspectos observamos uma maior similaridade entre as mulheres de classe C e AB. Isto ocorre porque as mulheres de classe C estão experimentando uma evolução mais intensa nos aspectos econômicos, educacionais e, principalmente porque estão também atendendo melhor suas necessidades pessoais. Pode-se dizer que ela está voltando-se mais para si mesmo e não está focada só nos seus filhos.

As mulheres classe AA parecem ser menos conservadoras e mais abertas as novidades, por quê?

As mulheres AA são menos conservadoras, menos preconceituosas, mais socialmente responsáveis, mais seguras porque acham que conseguiram sua independência financeira e também porque estão melhores preparadas educacionalmente e, possuem mais informações.

Apesar de todas as mudanças um dos maiores desejos femininos ainda é o casamento, por quê?

Casamento não é o maior desejo feminino, mas continua um desejo muito relevante. Ou seja, a maior independência feminina e a diminuição dos preconceitos não mudaram o desejo das mulheres de buscarem uma relação estável e duradoura. Também deve ser dito que as mulheres tem uma visão mais flexível para os futuros relacionamentos afetivos, bem como não são contrárias ao divórcio. São fatores que estimulam a busca de um parceiro para uma relação mais duradoura.


(A pesquisa intitulada “Movimentos Femininos” ouviu 1.750 mulheres entre 18 e 49 anos, das classes AA, AB e C. O estudo cobre os principais mercados brasileiros e capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador e Recife, além do interior de São Paulo.)

Por Larissa Alvarez

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