Blythe - nova paixão das mulheres que brincam de boneca

Blythe  nova paixão das mulheres que brincam de bo

Foto/Reprodução site Blythe

A infância feminina é, sem dúvida, marcada por bonecas. Qual mulher não se lembra daquela preferida, que escolhíamos para nos acompanhar nos passeios de família, que esperávamos chegar uma data comemorativa para ganhar ou até mesmo que colecionávamos? Acontece que, às vezes, apesar do tempo que passou, muitas pessoas, levando em consideração que isto não é uma particularidade do sexo, continuam com essa fascinação pelas bonecas e, ao longo da vida, passam a colecioná-las.

Uma boneca que está fazendo a cabeça das mulheres é a Blythe, lançada em 1972. Ela não teve uma boa aceitação na época, porque as crianças se assustavam com sua cabeça grande e seus olhos que mudam de cor. Ela parou de ser produzida no mesmo ano, mas a fábrica responsável voltou vender o produto, graças e esse fascínio das adultas.

As colecionadoras Ana Monteiro, de 38 anos, empresária na área de eventos, Samara Kiihl, de 31 anos, estudante de doutorado, Luciana Souza de Aguiar e Souza, engenheira agrônoma e professora universitária, Cristiane Dias, de 33 anos, artesã, Ludmila C. Almeida, de 34 anos, cientista política e crafteira e Alexandra Teixeira de Rosso, de 29 anos, publicitária, são mulheres para lá de resolvidas que aderiram à onda e se autointitulam "bonequeiras". Elas, junto com outras colaboradoras, fazem parte do site Blythescombr, onde trocam experiências, falam de suas bonecas e marcam encontros.

"A Blythe hoje, sem dúvida, é um ícone representativo de moda, arte e fotografia. Elas são as queridinhas dos designers. Quando você vê a boneca pensa: ‘Vou comprar só essa’. Mas, aos poucos, você se rende e percebe que precisa ter uma loira, uma morena, uma ruiva e, quando você menos espera, possui uma dezena delas. Existem muitos acessórios, então a coleção surge naturalmente, você se apaixona e se vê precisando delas", explica Ana. As bonecas que podem chegar a custar R$ 3 mil.

Luciana conta que sua fascinação pelas bonecas surgiu depois de visitar o site "La Reina Madre", da designer Denize Barros, que confecciona bolsas de tecido. Logo de cara, ela não sabia quem eram as Blythes, até fazer uma pesquisa na internet. Em seguida, já começou sua coleção, hoje composta por 17 bonecas e diversos acessórios.

Para Samara, que possui 14 Blythes, além dos sapatinhos, gorros e roupinhas, a coleção é legal porque ela gosta de fotografá-las, trocar seus looks e, quando percebe, já tem tanta coisa que precisa desacelerar as compras. Sempre que tem um dinheiro sobrando, a primeira coisa que vem na cabeça é comprar uma boneca e, por isso é sempre bom se policiar.

Todos concordam que, como tudo, colecionar bonecas pode se transformar um vício e, para evitar que isso ocorra, é preciso ter uma vida normal, trabalhar e não deixar de fazer nenhum das outras coisas do cotidiano. "Eu acredito que tudo o que é feito com bom senso e coerência é saudável. Você pode ter uma coleção infinita, conversar com as suas bonecas e ser saudável. Pode e deve saber onde termina a brincadeira e começa a realidade. Uma boneca é uma boneca e só. Colecionar Blythes e roupinhas pressupõe ser um pouco criança, sem se importar com a opinião dos outros, brincar sem ter vergonha, ser livre e feliz. A sua coleção antes de tudo é um brinquedo, é para você se divertir. Nada além disso", comenta Cristiane.

Ana acrescenta que jamais se deve gastar dinheiro com bonecas, caso isso atrapalhe os pagamentos de contas e outros gastos habituais. O vício se caracteriza exatamente por uma necessidade insuportável de colecionar, deixando de ser algo bom. A empresária revela: "Volta e meia presenciamos ‘colecionadoras’ que se esquecem da vida pessoal e só vivem pelas bonecas. Claro que isso gera conflitos com o marido, filhos e qualquer outra pessoa".

Vale lembrar que uma coleção não é definida pela quantidade de peças que se tem, mas sim pelo cuidado e diversão em compartilhar o mesmo interesse. No caso das bonecas em geral, de nada adianta comprar todas as que você vir pela frente de uma só vez, porque isso trará problemas à sua renda. Sami conta que, em seu blog, algumas meninas de 10, 12 anos, mandam mensagens preocupadas com o número de Barbies que têm, achando que serão menosprezadas por causa do número baixo. Isso não acontece, tendo em vista que a coleção está apenas no início e, ao longo dos anos, ela certamente irá aumentar. Basta ser paciente e aproveitar.

Paixão por Barbies

Samira M., ou Sam como prefere ser chamada, criou um blog chamado "My Barbie Doll", onde, como o próprio nome diz, ela troca informações e exibe sua coleção composta por mais de 55 Barbies. Ela explica que desde criança era presenteada com a boneca e, aos 23 anos, viu uma em comemoração aos 50 anos da marca e ficou encantada. Não deu outra: ela a comprou, fazendo com que, depois, ela comprasse a segunda, terceira e assim por diante.

"Não consigo definir uma razão específica para colecioná-las. Acho que é inerente a toda pessoa se apegar a determinados simbolismos, materiais que representem algo na vida e em nosso imaginário. Creio que foi o saudosismo que me motivou a isso. Além do mais, existe uma série específica feita pela "Mattel", fabricante da Barbie, para os colecionadores adultos, diferentes das bonecas encontradas em qualquer loja de brinquedos. Elas representam séries de TV, celebridades e países e acabam encantando até mesmo quem não as coleciona", conta.


A blogueira, que é casada há três anos e tem um filho de dois, conta que o marido a apóia em sua coleção e, como ele adora filmes, sempre sugere que ela compre as Barbies relacionadas a esse segmento. Sam acrescenta: "Recentemente adquirimos o casal Barbie e Ken do filme ‘Toy Story 3’ e pretendemos comprar o casal Jack e Angélica, do ‘Piratas do Caribe 4’".

Por Carolina Pain (MBPress)

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