Aquecedor solar caseiro

Aquecedor solar caseiro

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A palavra de ordem é sustentabilidade. No entanto, preservar não é suficiente. É preciso substituir (e melhorar) hábitos e atitudes. E tudo pode começar dentro de casa. Artesanalmente e a partir de material reciclado, por exemplo, é possível construir um aquecedor solar caseiro! O Vila Compras foi procurar a mente brilhante que projetou a ideia.

Com garrafas PET, embalagens de leite e conexões de PVC, o catarinense José Alcino Alano criou, quase por acaso, um mecanismo que retém o calor do sol e transforma em energia. “Ao guardar as embalagens do nosso próprio consumo em casa, o acúmulo foi inevitável. Como eu e minha mulher tínhamos um conhecimento básico sobre aquecimento por energia solar, em 2002 resolvemos construir um coletor solar com 100 garrafas”, explica José. Ele diz que o projeto se mostrou eficiente, dentro das limitações de um aquecedor solar alternativo, dando um destino responsável ao lixo acumulado.

O melhor da ideia do casal é que qualquer um pode construir seu próprio aquecedor. Basta seguir as instruções do “Manual Sobre a Construção e Instalação do Aquecedor Solar Composto de Embalagens Descartáveis”, disponível na Internet com um passo-a-passo para a produção e instalação.

O aquecedor solar caseiro tem os mesmos princípios de funcionamento dos convencionais e pode esquentar a água a partir da luz do sol, sem a utilização de energia elétrica. “No início, ele foi dimensionado para atender o nosso consumo de água quente. Usamos então 200 garrafas para atender quatro pessoas”, conta o catarinense.

Aquecedor solar com recicláveis

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Mas a ideia cresceu e ganhou o “Prêmio Superecologia”, da revista Superinteressante, em 2004, passando a ser conhecida pelo público. “Para nossa surpresa, o projeto não só obteve aceitação como interesse de vários setores. Esse fato vem beneficiando um grande número de pessoas”, comemora José. E se orgulha ao dizer que, atualmente, são várias as instituições com projetos instalados com mais de 1000 garrafas.

Um dos objetivos da invenção é conscientizar as pessoas sobre essa possibilidade de gerar energia solar - e de maneira alternativa. “Em um país ensolarado como o Brasil, esse tipo de recurso precisa ser bem utilizado”. Outra meta estipulada por José é retirar dos lixões uma grande quantidade de embalagens descartáveis, como as caixas de leite ‘Tetra pak’.


A invenção dele agora é projeto de governo. Em março, a Celesc (Companhia catarinense de energia elétrica) firmou um convênio de cooperação técnica para difusão dos aquecedores solares compostos por materiais descartáveis. Denominado de “Energia do Futuro”, o projeto de José já beneficiou mais de 7 mil pessoas em Santa Catarina. “O projeto torna possível, com reciclagem direta e sem qualquer processo industrial, reutilizar essas embalagens em projetos socioambientais, propiciando mais conforto, dignidade, qualidade de vida e economia de energia elétrica às pessoas com menor poder aquisitivo”, finaliza.

Como fazer:

Primeiro é preciso recortar as garrafas e caixas para o painel e, depois, pintar de preto os canos e embalagens de leite que irão absorver energia solar e transformá-la em calor.

As garrafas vão envolver os canos de água e manter o calor por meio de efeito estufa. A água sai da caixa d’água em temperatura ambiente e, ao passar pelo sistema, esquenta e então volta para a caixa. Depois de seis horas nesse ciclo constante, a água pode chegar a uma temperatura de até 38 graus Celsius no inverno - e mais de 50 no verão.

Por Cínthya Dávila (MBPress)

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