Alba Emoting: domine as emoções

Alba Emoting domine as emoções

Já pensou poder dominar as emoções apenas com o controle da postura, respiração e outros fatores físicos? Uma novidade chamada "Alba Emoting" promete ajudar. Trata-se de um método científico de indução, modelação e vivência das emoções a partir de padrões de postura e respiração, ou seja, desde o físico (o que é chamado de processo de ativação emocional "bottom-up"). É utilizado em diversas áreas, que vão desde a formação de atores (atualmente, matéria obrigatória em algumas universidades chilenas) até coaching de empresas, passando pela psicoterapia.

O sistema todo nasceu nos anos setenta, em um laboratório do departamento de Fisiologia e Biofísica da Escola de Medicina da Universidade do Chile, onde, medindo parâmetros físicos dos estados emocionais, Susana Bloch e Guy Santibáñez descobriram a existência de um padrão fisiológico diferente para cada uma das emoções básicas do ser humano, que são seis ao todo: a alegria, a tristeza, a raiva, o medo, a ternura e o erotismo. Descobriu-se que cada uma delas corresponde a uma necessidade adaptativa do ser humano, que é universal, independendo de raça, sexo ou cultura.

Além disso, eles descobriram que é possível induzir uma emoção a partir do corpo, sem necessidade de estímulos externos - ou "emotogêncios", ou seja, geradores de emoções, segundo os pesquisadores -, memórias ou situações criadas a partir da mente, usando esses padrões de ação. A descoberta de um método de indução emocional a partir do físico permitiu que novas técnicas se desenvolvessem nos mais diversos âmbitos, como o mundo do teatro - onde ajudou muitos atores a entrar e sair das emoções sem necessidade de envolver suas próprias histórias pessoais no processo.

O nome, Alba Emoting, veio da combinação de duas línguas. "Alba" significa "branco", ou "puro", em espanhol, para representar as seis emoções básicas e "emoting" veio do verbo em inglês "to emote" (emocionar).

"É simples, é só respirar"

No Brasil, a técnica ainda não é muito conhecida, mas por pouco tempo. A palestrante Leila Navarro, que também é colunista do Vila Mulher, foi uma das pessoas que se encantou com o Alba Emoting e pretende trazer mais dela ao Brasil.

Leila, que esteve com Susana Bloch duas vezes e a descreve como "uma senhora de 80 anos muito viva e divertida, embora não tão ativa", conta que conheceu o Alba Emoting durante um workshop sobre coaching, ministrado no Chile.

Ela, que já estudava PNL (Programação Neurolinguística), fez um paralelo entre os dois sistemas. Na PNL, acredita-se que é possível controlar suas funções cerebrais, como se fosse um computador. "Você pode controlar seus pensamentos se você pensar, e não ser pensado. Você pode ter controle", explica Leila.

"Quando eu descobri a Alba Emoting, descobri que você pode fazer a mesma coisa com as emoções, elas não são aleatórias. O ser humano não tem que ser emocionado, ele tem que se emocionar, ele pode escolher".

A palestrante também conta que se trata de uma prática diária de administração de emoções. Assim, não são apenas os mais coléricos os beneficiados pela técnica, mas sim todos os seres humanos, já que nenhuma das emoções é considerada negativa. A raiva, por exemplo, é necessária como impulso para determinada atitude, como explica Leila.

"Você começa o dia com uma emoção neutra, a alegria. Isso sem ler frases, cantar músicas, falar 'eu sou feliz'. É cientificamente comprovado que, quando você respira de determinada maneira, produz hormônios que causam as emoções", expõe. "Você aprende a gestar suas emoções. É um passo além da inteligência emocional".

E ela não fala sem vivência. Leila exercita o controle de suas emoções diariamente e diz que o Alba Emoting foi um marco em sua vida. Ela, que se define como uma "típica sagitariana", sempre foi muito impulsiva. "Sempre achei que cheguei aonde cheguei por não levar desaforo pra cara. Eu conseguia o que queria, mas as pessoas se incomodavam. Agora, vejo que não preciso gastar tanta energia, controlando as emoções de forma mais sensata, sem fazer com que os outros se sintam mal".

Embora ainda não existam workshops que ensinam a técnica aqui no Brasil, a palestrante diz que terá novidades em fevereiro ou março de 2011. A técnica não chegou aqui antes por motivo: Susana trabalha com pequenos grupos, que variam de 12 a 15 pessoas, e assim fará Leila. "Mas, depois do workshop, você já sai com a ferramenta", afirma.


"Percebi que há uma escolha, antes não percebia isso. Antes eu pensava que isso de controlar era como um cabresto, mas hoje percebo que não é isso. É simples, é só respirar", conclui.

Por Ana Paula de Araujo (MBPress)

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