A "super mulher" moderna e suas dificuldades

A super mulher moderna e suas dificuldades

Antes, as mulheres tinham papéis específicos na sociedade: nasciam para serem filhas exemplares e, mais tarde, esposas, donas de casa e mães dedicadas. Passados alguns séculos a mulher passou a buscar a igualdade de gêneros e a conquistar seu espaço no mercado de trabalho. Diga-se de passagem, o exemplo da primeira presidente mulher aqui no Brasil.

Tudo seria lindo se as tarefas não tivessem se acumulado. Hoje, a maioria das mulheres é filha, mãe, esposa, dona de casa, profissional e ainda precisa cuidar da saúde e da aparência. Para dar conta de tantos compromissos e funções de maneira plena, só mesmo sendo uma super mulher!

Mas, como Mulher Maravilha, Mulher Gavião, Mulher Gato ou qualquer outra super-heroína só existem mesmo na ficção, as moças costumam ter dificuldade para lidar com tantas funções. "A mulher atual quer fazer tudo, dar conta de tudo e, muitas vezes, paga caro por isso. Nossas atribuições se multiplicaram a partir do momento em que decidimos trabalhar fora além de cuidar da família e da casa, acumulando funções, por mais que os maridos nos ajudem. Ela tenta ser uma super mulher, mas nem sempre consegue", observa a psicóloga Marina Vasconcellos, especialista em Psicodrama Terapêutico.

Então, o resultado pode ser desastroso. "Muitas mulheres sentem-se culpadas ou exigidas demais, vivendo a sensação de não estarem dando conta do recado como gostariam, frustradas em suas próprias expectativas", diz a psicóloga.

São vários os riscos para quem vive se sentindo sobrecarregada. De acordo com a especialista, "o perigo é não saber dosar, não saber reconhecer os próprios limites e impô-los quando necessário, e querer ser "perfeita" em tudo. Não existem mulheres perfeitas, nem super mulheres. Não devemos nos culpar por darmos o máximo de nós e ainda não darmos conta em alguns momentos como gostaríamos de fazer".

Sentir culpa também não ajuda em nada, pois ela só traz mais frustração. Em casos extremos, a pessoa pode somatizar as frustrações e desenvolver alguma doença no físico ou mesmo na alma - depressão, síndrome do pânico, ansiedade demasiada.

E como desempenhar tantos papéis sem "enlouquecer"? Bom, primeiro é preciso entender que estamos sempre escolhendo e priorizando algumas coisas. O segredo é fazer a escolha certa, dedicando mais atenção - e às vezes mais tempo - a determinado papel.

Dados esses passos, siga a orientação de Marina:

- Peça ajuda aos que estão próximos, como marido (dividindo as tarefas de casa e as responsabilidades com os filhos) e a mãe (avós são ótimas com netos quando se dispõem a ajudar os filhos nesse papel);

- Saiba que você não será perfeita, por mais que tente, pois todos nós temos nossos limites e fragilidades;

- Conte com pessoas de apoio, quando possível, para não sobrecarregar-se com as tarefas em geral;

- Tenha a consciência de que em algum momento de sua vida não será possível investir tanto no trabalho (com filhos pequenos), e em outros os filhos serão sacrificados um pouco em sua companhia em função do investimento necessário para se atualizar (realização de cursos, viagens de negócios, reuniões...). Ou seja, tudo na vida exige dedicação e abdicação, dependendo da fase e da disponibilidade possível.


Assim, dosando seu tempo e estabelecendo prioridades, você terá grandes chances de ser bem sucedida em tudo o que fizer. E poderá não ser uma super-heroína, mas uma mulher de fibra que se esforça todos os dias para fazer o seu melhor - que, acredite, será o suficiente para manter as coisas equilibradas.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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