A influência e os benefícios do cinema em nossas vidas

A influência e os benefícios do cinema em nossas v

Sejamos sinceras: quem é que nunca se viu num personagem do cinema? Ou quem, depois de levar aquele fora, não pensou duas vezes antes de assistir a um filme romântico? Pois é, o conteúdo exibido nas telonas - assim como o das telinhas - interfere sim em nossas vidas.

Há tempos que as empresas, por exemplo, usam essas histórias para trabalhar o espírito de equipe e motivação nos funcionários.

Recentemente, especialistas resolveram aproveitar o que passa nas telonas para ajudar quem passa por experiências parecidas na vida real, ou mesmo para estudos diversos. Esse é o caso dos professores universitários J. Landeira-Fernandez e Elie Cheniaux. Depois de ouvir muitas perguntas de alunos sobre o diagnóstico psiquiátrico de algum personagem de filme, os colegas resolveram estudar outros casos e reuniram tudo no livro "Cinema e Loucura" (Artmed, 2010).

Os especialistas perceberam que o "louco" é personagem frequente nas telonas. "O ‘louco’ pode ser ótimo como vilão ou, alternativamente, como figura cômica. Ele faz o inesperado, tem atitudes imprevisíveis e, com isso, movimenta a trama", afirmou Elie. Além disso, "utilizar exemplos de personagens do cinema pode ser muito importante para os alunos que não têm acesso a pacientes reais, nos ambulatórios ou enfermarias psiquiátricas", completou.

A obra de Landeira e Cheniaux analisa 184 filmes sob a ótica da Ciência. Um bom exemplo é John Nash, em "Uma mente brilhante". "Na vida real, ele tem o diagnóstico de esquizofrenia. Todavia, mostramos no livro que os delírios e alucinações que o personagem apresenta no filme são bastante atípicos com relação à esquizofrenia. O personagem tem muitas alucinações visuais no filme, porém, na esquizofrenia, as alucinações visuais são raras, sendo mais comuns as auditivas", contou o professor.

De acordo com o especialista, o famoso caso de amnésia da personagem Lucy no filme "Como se fosse a primeira vez" é totalmente inverossímil, pois num transtorno amnésico verdadeiro não se perde a memória quando se vai dormir. "Por outro lado, há filmes que retratam de forma muito fiel os transtornos mentais. ‘Farrapo humano’, filme que deu o Oscar de melhor ator ao Ray Milland, mostra muito bem como é o alcoolismo", observou.

A influência e os benefícios do cinema em nossas v

Foto: divulgação

Além disso, a maneira como o cinema retrata distúrbios psicológicos como ansiedade, depressão e estresse podem ajudar quem passa por esses problemas na vida real. A razão é simples: por meio da identificação com um personagem, a pessoa tende a refletir a respeito da sua condição. "Porém, é muito importante que os distúrbios sejam colocados focando a verdade e a solução. Para ajudar, deve haver uma seriedade e um profundo estudo dos temas colocados em pauta", disse a psicóloga Cida Rabelo.

Para Cida, pegar aquele cineminha pode ser saudável para qualquer indivíduo. "O tema proposto, quando é bem colocado, funciona como um espelho onde a pessoa se vê e pode pensar em saídas para as suas questões. Exemplos e histórias atuam no nosso inconsciente."


A dica para aproveitar esse lado bom e "didático" do cinema é tentar olhar para as questões da nossa vida de fora delas. Isso nos dá mais clareza e capacidade para refletir e encontrar a melhor solução. Especialmente se assistirmos a histórias verídicas. "Elas mostram como a maneira com que lidamos com os fatos determina quem somos, e não os fatos em si", finaliza a psicóloga.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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