8 motivos para comemorar o Dia das Mulheres nos tempos de hoje

Vamos relembrar o que já foi conquistado ao longo dos anos e começar a levantar a bandeira da vitória feminista
dia da mulher feminismo

Foto: iStock_SanneBerg

A situação da mulher perante a sociedade, especialmente no Brasil, ainda é grave e degradante. Os números de estupros, de agressões físicas e abusos submetidos à mulher são altos. Sabemos por exemplo que a cada cinco mulheres no mundo, uma será vítima ou sofrerá uma tentativa de estupro até o fim da vida.

No entanto, a luta feminista está crescendo a cada dia. Movimentos nas ruas, palestras e relatos em redes sociais são responsáveis por alertar as pessoas quanto ao inimigo e nos levam à luta pela igualdade de gêneros.

Se pensarmos que até 1827 uma garota não era admitida em escolas e que até 1879 não frequentavam faculdades, sabemos que hoje estamos no caminho. Quantas mulheres estão bem sucedidas, especialistas no ramo e reconhecidas internacionalmente? Para isso, foi necessário 129 operárias queimadas mortas, em 8 de abril de 1857, para reivindicar redução de horário na jornada (na época eram 16h) e melhores salários (um terço dos homens na mesma função), nos Estados Unidos.

Não é à toa que a data ficou marcada no calendário mundial. O Dia Internacional da Mulher serve para nos lembrar da guerra moral que foi travada no século passado continua buscando conscientização e prática da igualdade de direitos entre homens e mulheres.

Por isso, vamos relembrar o que já foi conquistado ao longo dos anos e 8 motivos que nos levam a começar a levantar a bandeira da vitória feminista.

1- Direito ao voto, à candidatura política, ao trabalho e à prática de esportes

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Foto - Corpis

Só em 1932, no governo de Getúlio Vargas, que as mulheres brasileiras conquistaram o direito de voto. Antes disso, mulheres eram tidas como portadoras de "inferioridade mental" e com "retardo evolutivo" em relação aos homens. Em 1980, o mundo conheceu sua primeira presidente mulher eleita democraticamente, na Islândia, com Vigdis Finnbogadottir. Hoje, o Brasil é governado por uma mulher, Dilma Rousseff.

Em 1879, o governo brasileiro permitiu que as instituições de ensino superior abrissem as portas para as mulheres. Mesmo assim, as graduadas eram marginalizadas e encontraram grandes dificuldades em exercer suas profissões. Atualmente, as mulheres ocupam mais vagas nas universidades do que os homens. De acordo com o MEC, elas respondem por 2,8 milhões das matrículas, cerca de 55,1% do total.

Somente em 1928 que as mulheres conquistam o direito de disputar oficialmente as provas olímpicas. Em 1948, a holandesa Fanny Blankers-Keon, de 30 anos e mãe de duas crianças, consagrou-se a grande heroína individual da Olimpíada superando todos os homens. Arrebatou quatro medalhas de ouro no atletismo. E assim segue.

2- Conquistas no casamento e na família

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Na ficção, a personagem Laura, da novela Lado a Lado, retratou o preconceito sofrido pelas mulheres divorciadas. Foto/divulgação TV Globo

O primeiro Código Civil brasileiro, aprovado em 1916, reafirmou muitas das descriminações contra a mulher. A professora Lígia Quartim de Moraes chegou a escrever um texto sobre o assunto, em que diz: "Com o casamento, a mulher perdia sua capacidade civil plena. Cabia ao marido a autorização para que ela pudesse trabalhar, realizar transações financeiras e fixar residência. Além disso, punia severamente a mulher vista como ‘desonesta’, considerava a não virgindade da mulher como motivo de anulação do casamento e permitia que a filha suspeita de ‘desonestidade’, isto é, manter relações sexuais fora do casamento, fosse deserdada".

O divórcio surgiu apenas em 1977, e as "desquitadas" ainda eram vistas com descaso. Hoje em dia, as mulheres podem casar com quem quiser, quando quiser - e sem ser virgens! Também têm a oportunidade de se separar do homem, caso queira.

É importante frisar que as famílias estão começando uma nova geração cultural. A partir do momento em que a mãe, tia, avó (ou qualquer parente) não pergunta somente ao filho "como vai a escola" e à filha "e os namoradinhos?" e dá a mesma importância social aos dois, o machismo se interrompe. A educação aos homens e mulheres já está começando, aos poucos, a ser igual. Não diga à menina para não usar roupas curtas por precaução, ensine o menino a controlar seus hormônios e a não estuprar.

3- Liberdade sexual

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Os dias da repressão sexual estão contados. A mulher gosta e adora transar, e mais do que nunca está se libertando da preocupação de agradar ao homem na cama e conseguir gozar mesmo com celulite, pneuzinho na cintura e estrias. Mulheres tem autonomia sobre seu corpo e não recebem ordens de como devem se comportar. Entendido?

4- Homens estão começando a questionar o machismo e ser pró-feminista

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Feminismo e machismo não são antônimos. É importante entender que o feminismo não é uma luta contra o homem e sim um movimento que preza por direitos que interessam ambos os gêneros. Afinal, libertar o homem da obrigação sufocante de ser o chefe, o que toma a iniciativa, o poderoso e sempre no comando, provedor, é algo positivo. Por conta disso, homens ao redor do mundo já se dizem feministas e de acordo com as ideias do movimento.

Agora os companheiros não "ajudam" em casa - como se a obrigação de cuidar do lar fosse exclusiva da mulher e eles estão fazendo um favor -, as tarefas começam a ser divididas! Cuidar dos filhos, lavar a louça, varrer o chão e até lavar o banheiro são responsabilidades e questões higiênicas dos dois. Mas ainda estamos devagar. Segundo a Pesquisa Nacional de Domicílios (Pnad), do IBGE, mulheres gastam 23,9 horas da semana cuidando de afazeres domésticos, enquanto os homens ficam com apenas 9,7 horas. Mas estamos caminhando...

5- Entender que o machismo MATA

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Foto- Corpis

Ser machista em qualquer situação é concordar com a dominação do homem sobre a mulher. Essa cultura é violenta e cada vez mais as pessoas estão se dando conta disso. O machismo mata, todos os dias. Dez mulheres são assassinadas por dia no Brasil, colocando o país no 12º lugar do ranking mundial de homicídios contra a mulher. Uma em cada cinco mulheres já sofreu violência de parte de um homem. Na cidade de São Paulo, uma mulher é agredida a cada sete minutos. Machismo também está nas piadinhas, na objetificação feminina e no controle do corpo da mulher, e as pessoas já estão se conscientizando disso.

6- Mulher pode ser feminista e feminina

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Foto: iStock_amazingmikael

Graças à muita briga, hoje em dia você, mulher, pode sair de saia curta nas ruas e se maquiar da maneira que quiser. O mito de que ser vaidosa e dona de casa é antifeminista já era, viu? Mulheres no mundo inteiro podem andar de salto alto, fazer cupcakes, preparar uma ótima janta, ir à academia, fazer tricô e até usar avental para cozinhar. Pois é! A ressalva fica por conta dos estereótipos de que mulher sem make é feia, mulher sem salto deixa de ser mulher. As mulheres já sabem hoje em dia que não devem ligar para os padrões estéticos divulgados diariamente, principalmente em relação ao peso, por considerar uma imposição da sociedade patriarcal. O bacana é se sentir livre para usar make ou não, cozinhar ou não, e ainda se sentir mulher!

7- Mulheres e mensagens feministas na mídia

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Foto: reprodução

Tudo bem. Ainda vemos formatos machistas em programas dominicais, com dançarinas parecendo robôs ao fundo de um apresentador. No entanto, também assistimos atrações brasileiras e diversas internacionais comandadas por mulheres, que assumem o comando editorias de humorístico, esportivo, jornalístico, político, de entretenimento e tantas outras. Fora isso, o "girlpower" está mais na mídia do que nunca. Celebridades jovens como Beyoncé, Demi Lovato, Miley Cyrus e Anitta já deram seu pitaco. Atrizes como Reese Whiterspoon e Ellen Page também discutem temas como "aborto" e "violência doméstica". Ellen, que recentemente se assumiu lésbica, ainda chegou a declarar: "É raro uma atriz se assumir quando representa, pelo menos em algum sentido, uma indústria que estabelece padrões para todos nós. Não só para as pessoas jovens, para todos. Padrões de beleza, do que é uma boa-vida, de sucesso. Padrões que, odeio admitir, me afetaram". Os homens também estão do nosso lado: Ryan Gosling, Barack Obama, Daniel Craig, Ashton Kutcher, etc...

8- Mulher não é o sexo frágil

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Além do bom e velho argumento de suportar a TPM, andar de salto alto quando preciso, passar por todas as etapas de uma gravidez e ainda ter que trabalhar, cuidar da casa com o marido e ficar atenda à saúde, higiene, etc, a mulher não é o sexo frágil porque aguenta, todos os dias, o machismo. Hoje a mulher já se sente forte o suficiente para se defender, levantar a cabeça e responder à altura. Sabe que sem ela o mundo não vai pra frente. Ser delicada não é ser frágil, veja bem. A mulher é forte e doce ao mesmo tempo. Erasmo Carlos já sabia do que estava falando quando cantou: "Dizem que a mulher é o sexo frágil. Mas que mentira absurda. Eu que faço parte da rotina de uma delas. Sei que a força está com elas...".

Por Alessandra Vespa (MBPress)

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