Acne também afeta os adultos

Acne também afeta os adultos

Divulgação/ salão Cleber Lopes

As famosas espinhas sempre assombram a vida (e a pele) dos adolescentes. Mas não só deles. Muitos crescem e continuam com o problema de pele - especialmente no lado feminino. Muitas mulheres, já estão na fase adulta, ainda sofrem com aquele monte de cravos e espinhas que incomodam tanto e podem deixar marcas profundas.

A acne vulgar é uma doença genético-hormonal crônica da glândula sebácea. Atinge de 80 a 90% dos adolescentes, e é geralmente entre os 10 e 12 anos que os cravinhos começam a aparecer. Mas ela pode permanecer até os 20, 24 anos, quando então regride, na maioria das vezes. Fazendo as contas, a doença pode estar presente por até 14 anos num jovem normal e deixar cicatrizes ou sequelas emocionais. "Ela atinge o indivíduo bem na época de formação de personalidade e desenvolvimento de auto-estima. Por isso o impacto psicológico negativo é grande", afirma Ivonise Follador, dermatologista e doutora em medicina pela UFBA.

Além dos jovens, a acne tem vitimado os adultos também. Estima-se que cerca de 14% da população que já passou um pouco da adolescência sofre com isso. Nas mulheres acima de 25 anos, a doença é chamada de acne da mulher adulta e costuma aparecer na região das mandíbulas e do pescoço. Ela pode ter permanecido desde a adolescência ou ter aparecido tardiamente.

"A acne na mulher adulta está associada a distúrbios do ciclo menstrual, infertilidade, hirsutismo, seborreia, alopecia no couro cabeludo e obesidade, e tem mais chance de estar relacionada a uma doença endócrina" explica a dermatologista. Porém, grande parte das pacientes afetadas não apresenta alterações em exames como ultrassonografia e dosagem hormonal. É como se essas mulheres produzissem os hormônios normalmente, mas fossem mais sensíveis a eles.

Quem tem acne não precisa ficar sofrendo por anos - basta procurar um dermatologista e tratar o problema. A combinação de tratamento tópico e oral vem se tornando popular. As principais substâncias utilizadas são o peróxido de benzoila, a clindamicina, o adapaleno e outros retinóides tópicos. O tratamento poderá começar com antibiótico oral (geralmente tetraciclina ou derivados) que deverá ser usado no máximo 16 semanas para evitar resistência bacteriana. "Caso o organismo não responda a esses tratamentos, o uso da isotretinoina oral está indicado, com cura de cerca de 80% dos casos, esse tratamento leva em média seis a oito meses. O resultado é excelente e muito gratificante para o paciente e para o médico", fala Ivonise.

Nas mulheres (mesmo naquelas que não tem uma doença endócrina detectada), em especial nas adultas, os anticoncepcionais podem ajudar a combater a acne. Nesses casos, a paciente deve procurar, além do dermatologista, seu ginecologista e endocrinologista, pois o melhor é que o tratamento seja feito pelos três médicos, em conjunto. Os contraceptivos devem ser tomados por dois anos no mínimo. As melhorias na pele são visíveis após três meses de uso.

O velho ditado "prevenir é melhor que remediar" é válido para quem não quer sofrer com cravos, espinhas e inflamações na pele. A dica para evitar os efeitos indesejados tem a ver com a dieta. "Os alimentos que têm sido relacionados com piora do quadro são leites e derivados (mesmo o leite desnatado) e alimentos ricos em açúcar (alimentos com índice glicêmicos elevados). Pacientes obesos, apenas com dietas desse tipo, melhoram a acne", revela a médica.

A especialista explica que a pele oleosa não é a causa da acne, mas está sempre presente quando a pessoa tem a doença, sendo uma de suas bases. "Os quatro pilares da acne são: aumento da produção sebácea, defeito na queratinização folicular, proliferação bacteriana, inflamação e, além disso, a base genética e a influência dos hormônios andrógenos em todos esses pilares".


Por isso é interessante, também, verificar se a maquiagem, cremes e cosméticos utilizados são oleosos, pois isso pode desencadear a doença. Ser equilibrado emocionalmente é um bom método de prevenção, já que, como relata Ivonise, "o estresse pode piorar acne porque estimula a produção hormonal das glândulas adrenais". Portanto, comece agora a adotar hábitos mais saudáveis ou o tratamento necessário e fique livre da acne!

Por Priscilla Nery (MBPress)

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