Pressão para ser bonita, sempre!

Pressão para ser bonita sempre

Foto/Divulgação

Mulheres são independentes, confiantes e seguras de si, certo? Pois é, mas parece que nem sempre é assim. O padrão de beleza pode ser o "calcanhar de Aquiles" das consideradas mais contemporâneas.

Recentemente a Dove realizou uma pesquisa que visava analisar o índice de autoestima das mulheres. Representantes de vários países foram ouvidas. O resultado foi surpreendente. Entre todas as voluntárias, 72% assumiram se sentirem pressionadas a serem bonitas. O curioso é que a maioria afirmou que essa pressão parte delas mesmas, depois da sociedade e por último da família e dos amigos.

A psicóloga e pesquisadora Rachel Moreno, autora do livro "A Beleza Impossível - Mulher, Mídia e Consumo" (Editora Ágora), afirma: "Há trinta ou quarenta anos bastava ser honesta. Hoje a mulher tem que ser honesta, boa mãe, ótima esposa, profissional competente e ainda ser linda e sempre jovem". Em muitos casos essa cobrança acaba desencadeando transtornos mentais, como depressão.

Rachel garante que é difícil a mulher se conscientizar do real motivo da baixa autoestima. Elas não notam que são pressionadas a buscar um padrão impossível. "Na verdade, como a mídia afirma que só não se cuida quem não se quer é difícil que a mulher se preocupe com a saúde. Elas não querem se fortalecer e sim correr atrás da forma perfeita", lamenta.

A pesquisa apontou o que as mulheres mais gostam nelas mesmas. Em primeiro lugar aparece a boca, com 42% das opiniões. Os cabelos ficaram com a segunda posição, somando 38%. Em terceiro ficou a pele, 26%. Neste ponto, Rachel aproveita para chamar atenção para produtos inadequados que estão sendo projetados para públicos cada vez mais jovens.

"No Brasil já está sendo vendido sutiã com bojo para crianças de cinco anos. Nos Estados Unidos há bonecas com silicone, que na caixa contém a frase ‘Com silicones iguais aos da mamãe’. Além disso, há cremes que você começa a usar aos 20 anos para chegar aos 50 anos sem ruga, são 30 anos aguardando essa promessa", ressalta a psicóloga.

A pesquisa mostrou também que, mesmo muito longe de serem seguras, as brasileiras são as que mais têm autoestima elevada. Entre as entrevistadas, 14% disseram se sentir confiantes com a própria aparência. Entre as japonesas o índice foi de 5% e, entre as francesas, 2%. As portuguesas foram as mais pessimistas: nenhuma disse estar feliz com a beleza. A média de mulheres, entre todas as ouvidas, que disseram se achar realmente bela foi de 4%.


Rachel Moreno garante que, por meio de seu livro, procura ajudar as mulheres que buscam a todo custo um padrão inalcançável. "A saída pode vir através da exposição de outros modelos. Há trinta anos o exemplo era uma boa mãe; com a diversidade as mulheres puderam ter mais opções de modelos para seguir. Hoje algumas já começam a perceber outros caminhos", afirma a psicóloga.

Por Bianca de Souza (MBPress)

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