Estudo questiona a eficácia da lipoaspiração

Estudo questiona a eficácia da lipoaspiração

Qual mulher não se olha no espelho e logo pensa no quanto adorariam que aquelas gorduras localizadas simplesmente sumissem? Em seguida, a palavra lipoaspiração também passa pela cabeça como a única chance de reverter aquela imperfeição.

Porém, quantas vezes você também já não ouviu frases como: "Fiz lipo e engordei de novo"? Será que o procedimento realmente é eficaz? Será que funciona?

Segundo um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Colorado e divulgado pela revista "Obesity", do mesmo grupo de publicação da "Nature", a lipoaspiração não elimina definitivamente a gordura localizada e, mesmo que de outras formas, ela tende a aparecer.

Foram selecionadas 32 mulheres com idade entre 18 e 50 anos, saudáveis e um pouco acima do peso, todas com vontade de fazer lipoaspiração. Dessas mulheres, apenas 14 passaram pelo procedimento e puderam retirar até cinco litros de gordura subcutâneas da barriga, coxas e quadris. As demais não fizeram nada, apenas formaram um grupo de controle, a fim de serem comparadas às que fizeram a lipo.

Todas foram orientadas a continuar o mesmo estilo de vida e consumir uma dieta de 1.700 calorias, a fim de não engordar. Foram feitos diversos exames, dentre eles a ressonância magnética em três momentos: após seis semanas, seis meses e ao final de um ano.

O resultado foi bastante peculiar. As mulheres que fizeram lipoaspiração recuperaram quase toda a gordura retirada, porém, o efeito estético tinha se preservado nas coxas e nos quadris, voltando em maior quantidade na barriga.

Para cirurgião plástico Ronaldo Golcman, do Hospital Albert Einstein, isso se deve ao fato de nem todas terem mudado o estilo de vida após o procedimento. E revela: infelizmente as pacientes têm um conceito errado em relação à cirurgia.

"Frequentemente, elas fazem um grande regime antes. Nós examinamos e realizamos a avaliação, mas as pacientes já não estão com um peso estável. No caso do estudo, é preciso saber se essas mulheres estavam com o mesmo peso há, pelo menos, seis meses", explica.

O cirurgião plástico ressalta: "O que determina o formato do corpo é a quantidade de gordura. Culote, coxa e bumbum são áreas importantes do corpo feminino e possuem formato específico. O que acontece é que essas áreas possuem mais células adiposas e, com a lipo, nós diminuímos essa quantidade, mas elas não acabam. Quando a pessoa engorda, essa parte também aumenta, mesmo que menos nessas áreas".

Os estudos também revelaram que o tecido adiposo da região da barriga tenha aumentado talvez porque necessite estocar energia e regular o equilíbrio do corpo. "É possível que o cérebro cuide de manter o que ele considera um nível adequado de gordura corporal para o organismo", revela Teri Hernandez, uma das autoras da pesquisa.

A quantidade máxima que pode ser retirada de gordura, de acordo com Golcman é de, no máximo, 7% do peso corpóreo, ou seja, uma pessoa de 50 kg pode retirar até 3,5 litros de gordura. "Outro critério é que a pessoa pode tirar 18% dos 40% da superfície possível de trabalhar. Acho que é um exagero, já que trabalhar com 3% do peso corpóreo basta para um procedimento seguro", conta o Dr. Ronaldo Golcman.

Os exercícios físicos também são primordiais para um bom resultado da lipoaspiração. No caso da perna, de acordo com o cirurgião plástico, por ser composta de pele, gordura e tônus muscular, e a lipo apenas trabalhar na parte da gordura, é preciso um trabalho em conjunto para o resultado ser perfeito. Assim, além de conter menos gordura, ela aumentará o tônus, provocando o efeito desejado.


Por isso, se você está pensando em passar pelo procedimento, lembre-se: é melhor fazê-lo bem acima do peso do que procurar perder gordura antes de marcar a consulta, porque assim a satisfação será garantida. "Caso o peso esteja estável há pelo menos seis meses, ela certamente será uma boa candidata a fazer uma lipoaspiração com um ótimo resultado", finaliza o cirurgião.

Por Carolina Pain (MBPress)

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