Espelho meu!

Espelho meu

Dificilmente você sai de casa sem dar uma olhadinha para ele. Afinal, ninguém melhor para ajudar a garantir o visual. No elevador do prédio, garante o último retoque. No retrovisor do carro, quebra um ganho. Mas se ele quebra, lá se vão sete anos de azar. O espelho, figura certa na casa de quase todo mundo - até dos menos vaidosos - tem uma vida antiga. E nasceu bem antes da era da imagem.

Rainer Sousa, que é graduado em história, conta que os primeiros indícios de espelhos apareceram em 3000 a.C, na era do Bronze, quando povos do Oriente Médio projetaram seu reflexo em superfícies de metal polido. "Contudo, as versões mais próximas ao espelho que conhecemos surgiram na Baixa Idade Média [séculos IX ao XV], quando o renascimento comercial e urbano possibilitou o trabalho com uma gama maior de materiais e o desenvolvimento de novas técnicas", conta.

No final do século XIII surgiram os primeiros espelhos planos similares aos usados hoje. Eles eram fabricados em Veneza, na Itália, e eram feitos de vidro coberto por uma fina camada metálica refletora. Na época, custavam muito caro e apenas depois da Revolução Industrial passaram a fazer parte do cotidiano da maioria. "Entre os séculos XV e XVI, um espelho de proporções médias poderia valer mais que as pinturas de um pintor renascentista ou um poderoso navio de guerra", conta Rainer.

Segundo ele, o ato de projetar a imagem no espelho envolve questões muito ricas e interessantes da cultura de cada povo. "Em vários casos, a projeção do ‘Eu’ busca a conformidade ou a negação dos critérios de beleza, alegria ou distinção econômica e política socialmente partilhados em uma época. Portanto, a observação no espelho está longe de se limitar a um ritual de singularidade ou individualidade", avalia.

É fato que o espelho está intimamente ligado à vaidade. E historicamente também foi assim, Narciso (não o da Mitologia Grega, este responsável pelo famoso termo "narcisismo") que o diga. "O espelho se torna mais importante no mundo contemporâneo à medida que os critérios de beleza e aceitação se modificam em uma velocidade quase insana", finaliza o historiador. Independente da imagem que você quer passar - ou da cobrada que você reflita - o espelho não pode estar de fora. A segurança que o bom reflexo garante vale muito. Se não para os outros, pelo menos para você!


Fabricação:

O espelho é fabricado a partir do vidro. Para transformar uma coisa na outra é utilizada uma solução de nitrato de prata, aplicada a jato pela superfície. O nitrato, através de uma reação química, reage com alguns componentes do vidro e se fixa nele, adquirindo a capacidade de refletir imagens. A nitidez do espelho se deve ao polimento e ao baixo índice de absorção de luz. Fonte: Tok Stock

Por Sabrina Passos (MBPress)

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