Documentário discute a ditadura da beleza

Documentário aborda a ditadura da beleza

Apesar de inúmeras contestações, conquistar o corpo perfeito - e isso inclui ser magra, ter cabelos sedosos, a pele lisa, os seios volumosos e o bumbum empinado - ainda não deixou de ser desejo - ou obsessão - de boa parte do público feminino. Esse estereótipo da perfeição bate à porta das casas de muitas mulheres, que acabam perdendo a própria identidade para serem "felizes" e aceitas na sociedade.

Essa obsessão pelas curvas perfeitas foi analisada de maneira crítica pela diretora Jennifer Siebel Newsom no documentário "Miss Representation". O trabalho foi exibido pela primeira vez no Festival de Sundance, um dos maiores eventos de cinema independente dos Estados Unidos, que aconteceu entre os dias 29 e 30 de janeiro, em Park City.

A idéia de "Miss Represetation", título que visa brincar com a palavra "misrepresentation" (que significa representação errada) é mostrar como a mulher é exibida pelos veículos de comunicação e a forte influência que esta mesma exibição pode causar nas mulheres daqui a alguns anos. Para discutir o assunto, a diretora selecionou importantes celebridades americanas e estudantes.

No trailer do documentário, entre os trechos das entrevistas, são colocadas frases de alerta sobre os malefícios que a ditadura da beleza pode trazer às estudantes. "A mídia está mandando mensagens perigosas aos jovens", "As consequências são calamitosas" e "Como mudamos isto?" são algumas delas. "As pessoas não valorizam a parte intelectual das mulheres. O que importa é o corpo, não o cérebro", reclama Ariella, uma aluna de colegial. "Eu tenho amigas próximas que vão ao banheiro, passam cinco quilos de maquiagem. Sabe, a gente está na escola para aprender!", diz Alexis, outra aluna de colegial.

A apresentadora Lisa Ling opina: "Culturalmente, as mulheres são criadas para serem fundamentalmente inseguras". A atriz Jane Fonda também dá sua contribuição no documentário: "A mídia cria a consciência. Se os fatores que criam a nossa consciência forem determinados por homens, nós não avançaremos."

Ao reunir imagens de apresentadoras de televisão criticando a aparência de Hillary Clinton e perguntando se Sarah Palin havia feito implantes de silicone, Jennifer Pozner, diretora executiva do "Woman on Media & News" (Mulheres na Media & Notícias), desabafa: "A mídia é tão depreciativa para com as mulheres mais poderosas do país... Então o que ela diz sobre sua habilidade de não levar nenhuma mulher dos EUA a sério?"

O Prefeito de Newark, Nova Jersey, Cory Booker, faz um alerta: "Estamos desconsiderando vozes que são extremamente necessárias em fóruns públicos, impedindo-as de serem ouvidas". Dra. Condoleezza Rice, ex-secretária de Estado dos EUA, também se manifesta: "Somos o país mais poderoso do mundo, e não estamos defendendo os valores e princípios corretos. Isto é uma perda para o mundo".


"Miss Represetation" traz ainda declarações de nomes como Geena Davis, Margareth Cho e Rosario Dawson. Marie Wilson, presidente e fundadora do Projeto Casa Branca, marca sua participação com a frase: "Você não pode ser o que você não pode ver". E Katie Couric, âncora do CBS Evening News, afirma: "A mídia pode ser um instrumento de mudança, ela pode fazer as pessoas acordarem e mudarem suas formas de pensar. Isto depende de quem está ‘pilotando o avião’".

O documentário da diretora Jennifer Siebel Newsom deve chegar às telinhas em Outubro pelo canal OWN, o canal de Oprah Winfrey.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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