Cuidado com as verrugas

Cuidado com as verrugas

Nem toda bolinha esquisita que aparece na pele é a temida verruga. Mas quando ela aparece, é preciso cuidado. A dermatologista Suzy Rabello, de São Paulo, confirma que muita gente se confunde e acha que tudo que tem cara de verruga, e efetivamente é. "Mas na maioria das vezes há engano. As verrugas são causadas por vírus, o papiloma vírus humano (HPV), primo daquele que acomete os genitais", esclarece.

A médica Graça Silveira, do Rio de Janeiro, explica que existem diversos tipos de HPV, cada qual com diferentes apresentações clínicas, gravidade e potenciais para transformação, inclusive maligna. "As verrugas são, portanto, doenças virais de amplo espectro, podendo inclusive, em alguns casos, evoluir para lesões cancerígenas".

Elas normalmente têm a cor da pele e são ásperas ao toque. Mas podem também ser escuras, planas e macias. O contágio se dá por contato com alguém infectado. E às vezes, a própria pessoa espalha a verruga, numa espécie de autocontaminação, principalmente na região das unhas. Mas a verruga pode aparecer em qualquer parte do corpo, com mais propensão às mãos e pés, além de genitais, lábios, conjuntivas e até colo do útero.

Suzy explica ainda que essa doença, assim como várias outras, é reflexo da baixa imunidade. É por isso que crianças, que tem a imunidade menos amadurecida, apresentam mais verrugas que os adultos. "Pacientes renais, transplantados, também apresentam propensão, em função da imunidade comprometida", lembra a médica. "Nesses casos, é possível tentar aumentá-la com o uso de vacinas", pontua Graça.

O tratamento deve ser sempre feito com acompanhamento médico. Então esqueça as simpatias caseiras, ok? Apenas um profissional da saúde pode indicar o melhor remédio, normalmente tópico. "Alguns fitoterápicos orais também ajudam, mas não tem tanta eficácia", pondera Suzy.

Mas Graça afirma que não existe uma droga antiviral específica para as verrugas. "O tratamento normalmente é feito através da destruição ou remoção das lesões visíveis, por meio de diferentes procedimentos", completa.

As duas dermatologistas explicam que essa destruição é feita com ácidos que podem machucar a pele. Por isso é necessário muito cuidado. Outra opção é ‘congelar’ (com nitrogênio líquido) ou, em casos mais extremos, realizar cirurgias. O tempo do tratamento pode variar e passar de um mês. "Os vírus se desenvolvem dentro das células. Para matá-lo é preciso poupar as células o máximo possível e isso pode levar tempo", pontua Suzy.


Quem não procura tratamento adequado pode mascarar uma situação ou até piorar o próprio quadro. "Como não é fácil reconhecer a verruga e há confusão com outras bolhinhas e manchas, é preciso procurar o médico e dar muita atenção à pele", diz a médica paulistana. Graça finaliza lembrando que as verrugas podem desaparecer espontaneamente, sem tratamento, dentro de meses - mas podem persistir por anos. "Alguns casos podem se tornar gigantes ou mesmo evoluir para câncer", alerta.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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