Compras coletivas: cuidados na hora de fazer depilação a laser

Cuidados ao escolher a depilação a laser

Os sites de compras coletivas abriram as portas para os consumidores que não têm muito dinheiro no bolso para adquirir determinados serviços. Um prato sofisticado num restaurante, um tratamento de beleza ou viagem saem por preços jamais imaginados.

Mas um aviso: é preciso ter cuidado antes de sair comprando, principalmente quando o que está sendo oferecido é um tratamento estético. No caso de depilação a laser, a atenção deve ser ainda maior.

Segundo a dermatologista Dra. Eliandre Costa Palermo, diretora da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), o consumidor precisa saber que existem vários tipos de aparelhos e a escolha só pode ser feita depois de uma boa avaliação médica, ressalta.

"Há no mercado, por exemplo, um tipo de aparelho de luz pulsada, que causa menos dor, porém, queima mais do que os outros, principalmente as pessoas de pele morena ou com manchas. As lesões podem chegar a queimaduras de terceiro grau", alerta.

Além disso, os cupons promocionais para depilação a laser oferecidos nos sites de compras coletivas não correspondem ao tratamento completo, que dura meses, mas apenas a uma sessão. E essa "degustação" pode trazer problemas sérios para o paciente.

Dra. Eliandre explica que, às vezes, a clínica pode recorrer a uma aplicação com energia baixa para evitar queimaduras, já que o cliente não fez uma avaliação prévia. "Só que dessa forma, em vez de matar a raiz do pelo, o laser pode causar uma bioestimulação, fazendo crescer pelos onde não tinha e piorando as zonas onde a concentração já era alta, o que chamamos de hipertricose paradoxal."

Caso o consumidor se sinta lesado, ele pode entrar com ação contra o site de compras coletivas ou contra a clínica que ofereceu o serviço. Se o problema tiver relação com cupom - a clínica não reconhece a compra - as duas empresas pagarão pelo erro.

"Agora se foi colocada em risco a saúde ou a segurança do paciente, a empresa que prestou o serviço recebe a acusação, pois, neste caso, o site de compras coletivas, que só vendeu o serviço, pode se eximir da culpa", explica Thiago Mahfuz Vezzi, especialista em Direito do Consumidor da Salusse Marangoni Advogados.

A pessoa lesada pode pedir a devolução do dinheiro, indenizações por danos morais ou reembolso dos valores gastos com medicamento e consultas, desde que comprovados. "O consumidor pode ir ao Procon, que vai se encarregar de chamar as partes para uma possível conciliação, ou se encaminhar diretamente ao Judiciário para dar entrada no processo".


Por conta da série de reclamações por parte dos clientes, o Código de Ética do Conselho Federal de Medicina tem orientado seus associados a não anunciarem seus serviços em sites de compras coletivas. "Procedimentos estéticos não são considerados de consumo. Não se pode fazer este tipo de procedimento sem um médico responsável ou consulta prévia. Os profissionais que ainda são vistos nestes sites estão sendo devidamente orientados", afirma Dra. Eliandre.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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