Como Flávia Flores venceu o câncer de mama!

cancer de mama

Fotos divulgação

Durante o "Outubro Rosa" fica difícil não nos lembrarmos de um nome: Flávia Flores. Em outubro de 2012, Flávia descobriu que tinha câncer de mama. Na época, com 34 anos, a catarinense aproveitou seu amplo conhecimento em moda para montar uma Fan Page que dá dicas de beleza para quem está passando por essa situação. A "Quimioterapia e Beleza" tem mais de 70.000 curtidores.

O diagnóstico de uma doença grave nunca é recebido de forma leve. Num primeiro momento o paciente se desespera, chora, acha que vai morrer. Mais calmo, se alia à equipe médica e recorre aos tratamentos que, mesmo agressivos, podem livrá-lo da doença. E durante esse processo, a vida não pode parar. Flávia reagiu ao câncer e mais do que isso, levantou um exército de mulheres combatentes junto com ela.

A trajetória começou quando Flávia sentiu um caroço ao fazer exame de toque e procurou um médico. Como uma de suas próteses de silicone havia se rompido também, fez a troca e aproveitou para retirar o caroço, que foi mandado para avaliação. "Dez dias depois o médico me chamou para conversar. Eu nem me lembrava do caroço. Como faço meus exames regularmente e não tenho histórico na família, não me preocupei. Mas era câncer. E de um tipo bem agressivo", lembra.

A empresária chorou durante 10 dias. Ficou agressiva e os amigos se afastaram. Contou apenas com o carinho dos pais e do filho de 20 anos. Depois do susto, Flávia que sempre trabalhou com moda - começou a modelar aos 14 anos e depois foi representante de marketing de várias marcas famosas - decidiu se antecipar. Antes mesmo de começar a quimioterapia, procurou na internet dicas de beleza para disfarçar a aparência de doente e formas diferentes de amarrar lenços, já que o cabelo iria cair. Mas não achou nada de muito consistente.

"Eu também me preocupei em não engordar. Procurei uma nutricionista para me ajudar a manter a forma, porque os remédios costumam inchar", explica Flávia.

Assim, decidiu montar a Fan Page. "Foi uma forma de compartilhar meu conhecimento em moda com as pessoas e também de dizer para os meus parentes e amigos que eu estava bem, como era meu dia a dia. Inclusive as postagens fizeram meus amigos se reaproximarem de mim", conta.

Algumas mulheres que estão na mesma situação de Flávia viam as fotos dela e pediam dicas. Foi aí que começaram os vídeos de como se maquiar, amarrar lenços na cabeça e se arrumar para uma festa de casamento. O canal chamou tanta atenção que até as blogueiras de moda e beleza aderiram à causa, como Camila Coutinho, do blog "Garotas Estúpidas". Flávia ganhou espaço, e chegou até a dar palestras em feiras de beleza. Antes de lançar o canal e o livro "Quimioterapia e Beleza", Editora Jardim dos Livros, Flávia não imaginava tal repercussão.

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Vida nova depois da quimioterapia

A quimioterapia começou no dia 05 de dezembro de 2012. No dia 20, o cabelo começou a cair. No dia seguinte, 21, ela decidiu raspar tudo. Primeiro com maquininha, depois com gilete. "Eu não gostava da careca, dormia até de peruca", revela. Após 2 anos do diagnóstico da doença e do tratamento, os cabelos de Flávia já voltaram a crescer.

A última sessão de quimioterapia aconteceu há 6 meses. Hoje, Flávia passa pela hormonoterapia e ficará em tratamento por mais 9 anos, sendo que ainda não é considerada uma pessoa curada, apesar do câncer não estar mais em seu seio.

A felicidade agora é ver os cabelos crescerem: "Foi muito emocionante ver os cabelos crescendo...Tão fininhos, pareciam penugens. Logo tomaram força e preencheram todas as falhas. Agora já estão crescendo bem rápido. Eu estou me sentindo mais bonita, sim. Acho que a maioria das mulheres que passa pelo tratamento se vê mais bonita no final de tudo. O câncer, se não mata, embeleza", desabafa.

E mesmo sem o tratamento, ela pretende continuar com seus projetos e com a Fan Page. "O site estreia no dia 1º de outubro e será um canal de comunicação bem completo, com muitos vídeos, novas fotos e uma 'rede social' para pacientes trocarem experiência. E no final do mês, lançarei o livro em Portugal. Tenho certeza que será o primeiro de muitos países que publicarão a minha obra", conta animada.

Além disso, Flávia conta que fez uma parceria com Camila Coutinho, no projeto "Orgulho Pink", que consiste em uma websérie voltada a pacientes e quem está a sua volta.

Para quem está passando por essa fase difícil, Flávia orienta: "A mulher não pode se privar das coisas - comprar algo para ela, sair - achando que vai morrer. Tem que sair na rua de cabeça erguida", finaliza.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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