Câmaras de bronzeamento potencializam câncer de pele

Câmaras de bronzeamento potencializam câncer de pe

As câmaras de bronzeamento artificial surgiram na Europa e Estados Unidos, onde os longos períodos de inverno justificariam o interesse por esse tipo de procedimento. Vamos combinar que num país tropical como o Brasil, com sol quase o ano todo, isso não faz muito sentido, né? E se médicos, sociedades e organizações da saúde levantam a bandeira vermelha, é melhor mesmo redobrar a atenção.

É preciso ter um cuidado extra na hora de expor o corpo àquilo que não é, vamos dizer, natural. E as câmaras de bronzeamento artificial se enquadram bem nesse tipo de opção onde qualquer precaução é bem vinda. Tanto que a Sociedade Brasileira de Dermatologia, Regional São Paulo (SBD-SP) reforçou recentemente a recomendação da importância de uma avaliação médica antes de iniciar sessões de bronzeamento desse tipo. A orientação segue um alerta emitido pela Organização Mundial da Saúde, que elevou o nível de risco de câncer de pele por exposição aos raios UVA das câmaras. Esse alerta é baseado em estudos científicos realizados em nove países que concluíram um aumento no risco de melanoma em 75% no caso de a exposição à radiação das lâmpadas ocorrer antes dos 30 anos.

Vale explicar que durante a exposição ao sol, na praia ou na piscina, a pele fica exposta a dois tipos de raio: UVA e UVB. Apenas os UVB causam as queimaduras e os UVA, emitidos pelas câmaras de bronzeamento, parecem não causar problemas por não causarem vermelhidões. “Mas elas danificam profundamente a pele, de forma quase ‘silenciosa’”, diz o médico Marcos Maia, especialista em oncologia dermatológica.

Ele acredita que a indicação de ir até o consultório, antes de iniciar as sessões de bronzeamento, pode diminuir o número de pessoas atraídas pela técnica, já que haverá maior esclarecimento quantos aos riscos que ela causa. “Os pacientes de risco, de pele, olhos e cabelos claros, que já tiveram queimaduras, têm muitas pintas na pele ou casos de câncer na família devem evitar ao máximo o bronzeamento artificial. Uma consulta médica pode servir de alerta”, acredita. “Recebendo esse tipo de informação, a pessoa poderá concluir que não deve mesmo procurar o procedimento”.

Marcos atenta ainda para o fato de que as pessoas que mais procuram às câmaras de bronzeamento artificial são aquelas que não conseguem a cor desejada no sol. “O que as pessoas não sabem é que, se não conseguem no sol, não vão conseguir nas câmaras. Tudo depende da capacidade de bronzeamento da pele. Se expor aos raios artificiais significa maior risco de lesão”, explica.

As câmaras proporcionam uma exposição repetida aos raios UVA, responsáveis pelo bronzeamento da pele e também pela produção de radicais livres. “Seu acúmulo no organismo é a principal causa do foto-envelhecimento e constitui um fator importante para o aparecimento do melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele”, completa o dermatologista Sérgio Schalka, diretor da SBD-SP. Ele explica ainda que para obter o mesmo bronzeado de uma exposição ao sol, quem se submete às sessões artificiais está se exposto a uma quantidade de energia muito maior.


Flávia Addor, diretora de comunicações da SBD-SP, sugere que os estabelecimentos que oferecem as câmaras devam manter um dermatologista para avaliar se a pessoa tem ou não condições de realizar as sessões. “É fundamental que a pessoa tenha acesso a orientações e esclarecimentos de um especialista, que irá fazer a avaliação e informar sobre os riscos de danos à pele, seja o foto-envelhecimento ou câncer de pele”, comenta a dermatologista. Marcos Maia prefere que a pessoa procure o próprio médico, para não correr o risco de receber informações que privilegiem o estabelecimento e acabem escondendo verdades do paciente.

Por Sabrina Passos (MBPress)

Comente