Aparências que enganam

Dia desses, minha filha de 6 anos me perguntou: “Mamãe, por que os adultos ficam tão felizes quando falam quantos anos eles têm e o outro responde que não parece?” E, um segundo depois, antes que eu, desprevenida, articulasse minha resposta, ela concluiu, tornando minha presença absolutamente desnecessária: “Ah! Já sei: é porque eles querem demorar mais para morrer, né?” Uma filósofa essa criança!

Acredito que seja isso mesmo. No final das contas, as pessoas não gostam de envelhecer porque não querem se aproximar da morte. Mas não acho que seja só isso. E o próprio conteúdo do diálogo que ela descreveu dá a pista. “Não parece!”, é a resposta que realmente agrada. Parecer, aparentar, mostrar e, por contraponto, ocultar, esconder, disfarçar. O desejo que impera em nossa cultura é mais o de ocultar os sinais do tempo. Já nos acostumamos à idéia de que envelhecer bem é parecer uns 10 anos mais jovem do que se é.

Alimentação saudável, exercícios físicos, atividade mental e a tão abstrata “qualidade de vida”, podem trazer longevidade, adiar a morte, fazer com que se viva mais e melhor. Mas, e fazer plástica? E buscar obsessivamente a estética e a performance jovens? Tem a ver com longevidade?

Um corpo saudável que não se encaixe num certo padrão de beleza jovem e sarado será tão valorizado? Acho que não. Não sei se saúde e estética são tão inseparáveis quanto a indústria da qualidade de vida faz parecer. Ao menos não a estética das capas de revistas. Mas parece que é essa estética que mobiliza nossos bolsos. O mercado agradece.

Uma a Uma é uma empresa de inteligência de mercado especializada no público feminino. As sócias e colunistas do Vila Mulher, Denise Gallo e Renata Petrovic, ajudam a entender melhor e desvendar as várias faces da mulher contemporânea.Contato: umaauma@umaauma.com.br

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