365 dias sem se olhar no espelho

365 dias sem se olhar no espelho

Kjerstin Gruys/Foto: Reprodução kjerstingruys.com

Alguma mulher já cogitou a possibilidade de ficar um ano sem se olhar no espelho? Sim, a socióloga Kjerstin Gruys. Atualmente, a americana faz pós-graduação e prepara uma dissertação com o tema "Indústria da Moda". A partir disso, tomou essa decisão. Ela já cumpriu um terço do tempo prometido e ainda faltam meses para isso acabar.

O mais hilário de tudo é que a moça está noiva e faltam apenas seis meses para seu casamento. Ela não vai poder se ver vestida de noiva, nem como ficou a maquiagem, o cabelo, enfim, Kjerstin entrará na igreja sem saber como está.

Segundo a psicóloga Shirley Miguel, este, sem dúvida nenhuma, é um desafio, ainda mais para uma mulher. "Acredito que essa experiência será muito válida para Kjerstin Gruys, tanto pessoalmente quanto para a sua dissertação, ainda mais focando aspectos sociológicos e da moda, aparentemente tão antagônicos."

Mas será que Kjerstin vai conseguir ficar tanto tempo sem espelho? "Essa é uma previsão que não podemos dar. Aparentemente, ela já cumpriu parte do tempo, então torçamos para que consiga e nos relate essa experiência", diz Dra. Shirley. "O maior problema não é se livrar dos espelhos de casa, como ela mesma diz, mas não cair na tentação de se olhar nos espelhos espalhados por todo canto. Ainda mais em uma cultura da moda, da vaidade, da autoimagem supervalorizada."

A doutora identifica um ponto positivo nessa atitude: "Talvez ela saia com a autoestima ainda mais fortalecida dessa experiência, porque pode deixar de basear sua autoimagem e autoconceito prioritariamente em sua aparência externa e desenvolver outros aspectos tão importantes quanto, tais como seus valores pessoais, habilidades sociais, capacidade intelectual e acima de tudo, confiar em tudo que construiu até hoje, inclusive quanto à sua imagem".

O fato de a americana pretender passar um ano sem espelho não quer dizer que ela não tenha vaidade. "Vaidade não se refere unicamente à aparência física, em como nos vestimos, nos maquiamos, ou como está nosso cabelo. Podemos nos sentir vaidosos com nossa capacidade de produção, nossa inteligência e nossos bens conquistados. A questão é o quanto dependemos dessa atenção dos outros para nos sentirmos bem com nós mesmos", relata Shirley.

Em contrapartida, uma jovem estudante do ensino fundamental, Natália Martins, é muito vaidosa e não vive sem espelho, maquiagem e todos os acessórios que uma mulher super cuidadosa com a aparência precisa ter. Ela não consegue sair de casa sem se olhar no espelho e afirma que só está feliz quando sua aparência está boa: "Sempre que estou bonita é porque estou feliz". Quanto ao desafio de Kjerstin Gruys, ela afirma: "Acho que é impossível passar o dia sem um espelho."


Analisando o perfil de Natália, Dra. Shirlay comenta: "Tudo que é em excesso faz mal. Ser vaidoso não é necessariamente algo negativo, pelo contrário o ‘bom narcisismo’ se refere ao autocuidado", e completa: "Os espelhos são instrumentos que facilitam nossa vida, mas não podemos ser dependentes deles, ou pior, buscar neles as imagens propagadas pela moda, com estereótipos que não cabem a qualquer mulher. Nem todas são magras, loiras ou altas, conforme o padrão Barbie, mas todas, sem exceção têm valor".

Por Caroline Belleze Silvi (MBPress)

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