Tecelagem artesanal resgata cultura de Minas Gerais

Tecelagem artesanal resgata cultura de MG

Foto/ Catharina Apolinário

Durante a Mega Artesanal, artesãs de Minas Gerais expuseram suas peças 100% naturais. A Tecelagem Artesanal Fiado de Roda reproduz a manufatura de peças como era feito há 200 anos pelas mulheres mineiras, mas produzindo peças atuais.

Rosália Prado é artesã do ateliê Fiado de Roda, com mais três sócias. A tecelagem fica em Ituiutaba, no triângulo mineiro. Rosália afirma que o artesanato é considerado de raiz, pois parte da pluma do algodão. "Nosso artesanato parte da matéria-prima, parte da pluma do algodão, fazemos o fio usando roda de fiar, tingimos o fio com tinturas naturais, e tecemos em teares mineiros antigos. Alguns têm 200 anos e foram utilizados por quatro gerações de mulheres," afirmou.

A artesã conta que o resgate cultural da tradição que vem sendo abandonada é uma grande preocupação da tecelagem. "Nós achamos que é importante manter essa memória essa cultura, aprendemos a fazer todo processo usando exatamente as técnicas que as mulheres usavam há 200 anos," lembrou.

Segundo a artesã, a cultura do tear mineiro era um processo utilizado em todo país na época da colonização. Porém, a coroa portuguesa mandou que se destruíssem todos os teares no Brasil para que o país comprasse tecidos da Inglaterra.

A região do triângulo mineiro teve uma colonização recente, porém Minas Gerais e Goiás foram os estados que guardaram o conhecimento da tecelagem durante o período da colônia. Na ocasião da ordem portuguesa de destruição dos teares, aqueles equipamentos que estavam nos estados mais litorâneos foram destruídos. Como no interior não havia fiscalização Minas Gerais e Goiás continuaram tecendo e quando acabou a proibição esses estados tinham o conhecimento.


De acordo com a artesã, de 50 anos pra cá as mulheres não transmitiram o conhecimento do tear para as novas gerações e muito foi perdido. O artesanato mineiro e goiano tem uma característica de desenhos muito marcantes. "Nosso trabalho não é fazer uma peça, é manter a história viva," explica a artesã.

Por Catharina Apolinário

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